sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sendim (Miranda do Douro) - freguesia com dinâmicas recentes positivas

CARACTERIZAÇÃO
A freguesia de Sendim localiza-se no sector Sul do concelho de Miranda do Douro, a SW da sede de concelho, no limite com o concelho de Mogadouro, tendo fronteira com Espanha.
Parte da freguesia está em zona de vale e pertence à unidade de paisagem Douro Internacional e parte em zona de planalto na unidade Planalto Mirandês, tendo clima de terra fria de planalto. Ocupa uma superfície de 3864ha, que representa uma densidade populacional de 37hab/ km2. Integra o aglomerado e Vila de Sendim.A freguesia atingiu o máximo populacional em 1960 (1983 habitantes), em parte devido À construção das barragens, registando oscilação entre décadas de crescimento (1950/60, 1970/81 e 1991/01) e décadas de diminuição (1960/70 e 1981/91). Em 2001, tem 1432 habitantes, sobretudo com idades entre os 15 e 64 anos (68%), tendo os jovens um menor peso (13%) e os idosos uma percentagem maior (19%), resultando no aumento do índice de envelhecimento.
Cerca de 18% da população não tem qualquer nível de instrução, tendo 11% ensino secundário e 9% ensino médio / superior.
As famílias aumentaram ligeiramente (2%), tendo os alojamentos (24%) e os edifícios (21%) aumentado de forma assinalável.A freguesia dista 70 minutos do IP3/A24, sendo servida pela EN221, encontrando-se a 25 minutos da sede de concelho, a 83 minutos do centro urbano estruturante e a 217 da aglomeração metropolitana.
Embora exista rede de transportes local e regional, esta população está numa situação periférica, relativamente a centros urbanos regionais.A freguesia dispõe de ensino até ao 3º ciclo, sendo servida de equipamentos de acção social e de saúde, de vários estabelecimentos de comércio e serviços diversificados.
Apresenta uma nula carência de funções não especializadas e um índice de marginalidade forte.A população activa representa 42,5% da população, grande parte empregue no sector terciário (56%), representando a população inactiva 44% da população residente. Existiam, em 2001, 570 indivíduos empregados e 38 desempregados, em particular mulheres à procura de novo emprego. Em 2005, estavam 166 indivíduos empregados por conta de outrem.
A população agrícola diminuiu (-9%), bem como o seu peso na população total. Por outro lado, os produtores aumentaram (3%), sendo os rendimentos de 89% dos produtores principalmente exteriores à actividade agrícola. As explorações aumentaram (4%), tendo diminuído a área média das explorações, que é explorada na generalidade por conta própria.
A SAU diminuiu (-3%), em particular nas culturas temporárias (-35%) e nas terras aráveis (-46%), tendo aumentado as culturas permanentes (40%) e as matas e florestas (421ha), em resultado do abandono das culturas mais exigentes em mão-de-obra. Não se registaram alterações de uso do solo, sendo as culturas permanentes (41,6%), as zonas agrícolas heterogéneas (20,8%) e as culturas anuais (17,4%) os usos mais representativos. Também se encontra na freguesia o espaço urbano, as pastagens, a floresta, a vegetação arbustiva e herbácea e a superfície com água.

ANÁLISE
Ao longo das últimas décadas, a freguesia ficou marcada pela evolução registada nas condições de vida da população e pela diminuição da população, nomeadamente nas décadas de 1960/70 e 1981/91, derivada da emigração e da diminuição da natalidade. A emigração para o estrangeiro ocorreu maioritariamente na década de 1960, quando uma parte significativa da população saiu da freguesia à procura de melhores condições de vida, nomeadamente para França, Canadá e ex-colónias africanas (Angola e Moçambique), em grande medida derivado da pouca oferta de empregabilidade existente na freguesia. Cerca de 80% da população que emigrou saiu para França, tendo ido trabalhar maioritariamente para a construção civil e para fábricas. Nos anos 80 a população volta a perder população significativamente, contudo a emigração para o estrangeiro teve menor impacto, embora tenham saído algumas pessoas para Espanha, em grande medida devido à proximidade da freguesia e à maior facilidade de regressar. Também neste período várias pessoas saíram da freguesia motivadas pelo prosseguimento dos estudos, nomeadamente para Porto e Lisboa, mas também para outros centros urbanos com ensino superior, acabando por não regressar à freguesia devido à não existência de empregabilidade, regressando apenas esporadicamente em alturas festivas e nas férias. Mais recentemente, a população que abandona a freguesia é em número mais reduzido e é cada vez menos a população que abandona a freguesia tendo como destino um outro país, sendo na generalidade motivados pela continuação dos estudos no ensino superior, e estes jovens que vão tirar o curso superior acabam por vir cada vez mais para perto da freguesia, vindo trabalhar para a freguesia ou para as sedes de concelho próximas.
A década de 70 ficou marcada por um ligeiro crescimento populacional, derivado do regresso de alguns emigrantes de Angola, entre 15 a 20 pessoas, os quais vieram trabalhar para a agricultura e no comércio por conta própria. Também neste período se verificou o regresso de cerca de 5 famílias de França, em grande parte motivados por dificuldades sentidas nesse país, tendo regressado para trabalhar na construção civil e no comércio. Mais recentemente, desde o início da década de 90 já regressaram várias famílias de emigrantes de França, a maioria idosos mas também alguma população jovem que veio trabalhar por conta própria ou como empregados na construção civil e no comércio. As causas das dinâmicas da freguesia foram numa primeira fase a emigração que originou o abandono de muita população devido à inexistência de empregabilidade, saindo à procura de melhores condições de vida. Mais recentemente o crescimento deve-se aos novos residentes de freguesias próximas, os quais têm procurado a existência de um conjunto diversificado de serviços básicos e de funções urbanas na vila, sendo a concentração da população da freguesia num único aglomerado sido determinante para a dinamização da freguesia, em virtude da existência de massa critica para a instalação de vários equipamentos e serviços. O crescimento populacional registado na década de 1991/2001 ficou, em grande parte, a dever-se à atractividade exercida pela freguesia sobre as freguesias mais próximas, tendo várias pessoas dessas freguesias vindo residir para a vila de Sendim, em virtude da existência na freguesia de um conjunto diversificado de serviços e funções, encontrando-se no planalto mirandês, sensivelmente no meio entre 3 concelhos: Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso.
A população actual é de cerca de 900 residentes fixos, uma parte envelhecida mas também existem jovens, a generalidade ainda a estudar, alguns no ensino superior em Bragança (maioria), em Macedo de Cavaleiros, Vila Real, Miranda do Douro, Porto, Coimbra e Lisboa. Vários jovens que terminam o curso superior acabam por arranjar emprego nas cidades onde prosseguem os estudos, mas quando arranjam emprego nas proximidades regressam à freguesia, devido ao forte sentimento de identificação com a terra. Embora diminuído nos últimos anos, anualmente registam-se, em média, entre 12 e 15 nascimentos, tendo a freguesia perspectivado a implementação de medidas de apoio à natalidade. No Verão regressa muita gente, duplicando a população, nomeadamente os emigrantes e os filhos que vêm passar as férias, mas também na altura do Natal e da Páscoa, muitos emigrantes e a generalidade da população que reside e trabalha no Porto, em Lisboa e noutras cidades do país, regressam à freguesia, existindo entre 30 e 40 casas de 2ª residência.
A rede viária existente é de razoável qualidade, sendo suficiente para suprir as necessidades de deslocação da população, embora seja considerado necessário a melhoria da ligação de Mogadouro a Macedo de Cavaleiros e da freguesia até Bragança, embora a inexistência de vias fundamentais não seja considerado um elemento influenciador do abandono da população. Antigamente a população deslocava-se através dos transportes públicos, existindo também que se deslocasse a pé ou através dos animais até à sede de concelho. Também o transporte ferroviário serviu a freguesia, nomeadamente o ramal do Vale do Sabor, que fazia a ligação entre Pocinhos e Duas Igrejas, tendo a construção terminado em 1938, que não chegaria a atingir o seu destino último (Miranda do Douro). A construção deste ramal (via estreita) teve a intenção de cumprir dois objectivos fundamentais: o transporte do minério de ferro das minas de Reboredo e o fim do isolamento da região situada entre Miranda do Douro e Mogadouro, no entanto a linha encerrou ao tráfego em 1988. Com o encerramento da linha de caminho-de-ferro e a generalização do automóvel, a população começou-se a deslocar maioritariamente de transporte individual, embora ainda existam transportes públicos que são cada vez menos utilizados. O facto de a freguesia estar desviada da sede de concelho não teve influência na dinâmica de regressão, pois permitiu o surgimento de um conjunto de equipamentos e serviços que a dinamizaram e tornaram mais atractiva, permitindo a captação de novos residentes. A freguesia dispõe também de vários estabelecimentos comerciais, tendo aumentado nos últimos anos. É servida por Cafés, minimercados, padarias, talhos e estabelecimentos de vestuário, de calçado, de electrodomésticos, entre outros. Para além dos equipamentos de ensino (até ao 3º ciclo), sociais (idosos e jovens), de saúde, de cultura e de desporto, salienta-se a presença de vários serviços, nomeadamente 3 agências bancárias.
A agricultura antigamente ocupava cerca de 80% da população da freguesia, sendo as produções mais características o trigo, o vinho, o azeite e os produtos hortícolas. Nos anos 50, existia uma fábrica de calçado que empregava 50 pessoas, sendo o comércio praticamente inexistente. Actualmente, em termos económicos, refira-se que o sector primário ainda continua a ter uma forte importância para a economia local, destacando-se a produção de vinho e de azeite, destinando-se a produção essencialmente a auto-consumo, embora existia produção vinícola de qualidade para comercialização, beneficiando da existência da adega cooperativa (Adega Cooperativa de Ribadouro) que tem fomentado e incentivado uma maior produção vinícola. Salienta-se ainda que tem existido um grande investimento de jovens agricultores, especialmente na bovinicultura, de leite e carne, sendo as explorações de maior dimensão existentes na freguesia. Contudo cada vez mais a agricultura é feita ao fim de semana, servindo de complementaridade aos rendimentos obtidos em outras actividades. Salienta-se a empregabilidade em 6 empresas de construção civil da freguesia (40 pessoas), em 4 armazéns de materiais de construção (10 pessoas), na cooperativa agrícola (10 pessoas), na cooperativa olivícola (6 pessoas durante 2 meses), nas escolas (15 pessoas), nos bombeiros (10 pessoas), no lar de idosos e centro de dia (15 pessoas), nas oficinas de reparação automóvel (8 pessoas), nas agências bancárias (6 pessoas), estando ainda cerca de 40 pessoas empregadas no comércio e 15 pessoas em outros serviços (estação de correios, farmácia, gabinetes de contabilidade). Refira-se ainda que cerca de 20 residentes estão empregados nos serviços e comércio em Mogadouro e Miranda do Douro, estando 5 pessoas empregues nas fábricas de Palaçoulo. O sector secundário está ainda representado por uma fábrica de transformação de granitos que emprega 10 residentes. Relativamente ao turismo, salienta-se que assume uma importância crescente, em particular no Verão, existindo 2 hotéis e 2 hospedarias, beneficiando a freguesia do facto de estar inserida no Parque Natural do Douro Internacional, sendo rica em paisagem natural, permitindo ao turista desfrutar das Arribas do Douro e da respectiva fauna e flora. O património arquitectónico, com particular destaque para a Igreja do século XIV, a riqueza e diversidade das tradições existentes, nomeadamente o Festival Intercéltico, a dança dos Pauliteiros, os grupos de cantares, as associações culturais e desportivas, o artesanato e a gastronomia (a posta Mirandela é o prato mais característico) são elementos diferenciadores da freguesia, que para além de dinamizarem actividades culturais e recreativas, são importantes factores de atractividade de visitantes. A floresta tem vindo a aumentar nos últimos anos, em resultado a florestação levada a cabo no âmbito de projectos financiados por fundos comunitários, nomeadamente em terrenos onde antigamente era produzido o cereal.
Segundo a população local, nos próximos anos a freguesia vai manter a população residente, sendo a saída de estudantes colmatada pelo regresso de emigrantes do estrangeiro e dos grandes centros urbanos, sendo a estratégia da freguesia apoiar e colaborar em todos os eventos realizados na freguesia, prevendo ainda a criação de uma zona empresarial, de um loteamento social e de um parque infantil.

IN http://hdl.handle.net/10216/51026

Vidago - Freguesia tendencialmente regressiva

CARACTERIZAÇÃO
A freguesia de Vidago localiza-se no sector Sul do concelho de Chaves, a SW da sede de concelho, sensivelmente entre a cidade de Chaves e as vilas de Vila Pouca de Aguiar e Boticas.
A freguesia encontra-se em zona de vale e pertence à unidade de paisagem Veiga de Chaves, tendo clima de zona de transição. Ocupa uma superfície de 639ha, que representa uma densidade populacional de 186hab/ km2. Integra o aglomerado e vila de Vidago.A freguesia atingiu o máximo populacional em 1960 (1712 habitantes), a partir da qual registou uma diminuição significativa da população, perdendo 526 habitantes entre 1960 e 2001 (-31%), contudo na década de 70 aumentou 16% a população residente. Em 2001, tem 1186 habitantes, representando os residentes entre os 15 e 64 anos cerca de 65% da população, tendo diminuído os jovens e aumentado os idosos, resultando no aumento do índice de envelhecimento.
Cerca de 17% da população não tem qualquer nível de instrução, tendo 36% o 1º ciclo e 24% têm instrução acima do 3 ciclo.
Embora as famílias clássicas tenham diminuído (-3%), os alojamentos (49%) e os edifícios (48%) aumentaram significativamente.A freguesia é servida pelo IP3/A24, por vias nacionais e municipais, encontrando-se a 25 minutos da sede de concelho, a 37 minutos da cidade de equilíbrio regional e a 81 minutos da aglomeração metropolitana do Porto.
Existe rede de transportes local e nacional / regional e uma praça de táxis, não estando esta população numa situação periférica.A freguesia dispõe de vários equipamentos de ensino, acção social e saúde, tendo comércio variado e serviços de índole diversa.
Apresenta uma nula carência de funções não especializadas e um índice de marginalidade muito fraco.A população activa representa 42% dos residentes, estando, em 2001, 426 indivíduos empregados, sobretudo no sector terciário (75%), enquanto 73 indivíduos se estavam desempregados, sobretudo à procura de novo emprego. Em 2005, 357 indivíduos estavam empregados por conta de outrem, evidenciando a empregabilidade existente.
A população agrícola diminuiu (-46%), bem como o seu peso na população total, representando 12% da população residente. Também os produtores diminuíram (-33%), sendo os rendimentos de 48% dos produtores principalmente exteriores à actividade agrícola, existindo apenas 3 produtores com rendimentos exclusivos da agricultura. As explorações diminuíram (-33%), bem como a área média das explorações, na sua maioria cultivada por conta própria (92%). A SAU diminuiu (-37%), em particular na terra arável e nas culturas temporárias. As culturas permanentes também diminuíram (-25%), contudo representam 70% da SAU, tendo aumentado a área de matas e florestas (1%). Existem muito poucos efectivos animais, em virtude do crescente abandono agrícola.
A floresta diminui em virtude de incêndios florestais ocorridos, contudo representa 25% do solo da freguesia. Aumentou a vegetação arbustiva e herbácea, as culturas permanentes e as zonas agrícolas heterogéneas que é o uso predominante (32,9%).

ANÁLISE
A freguesia ficou marcada pela descoberta das águas termais em 1863 por um lavrador da localidade, embora seja referenciado que Vidago tenha sido uma estância termal no tempo dos Romanos. Foi a partir da redescoberta das águas que se deu o desenvolvimento da localidade, com o surgimento de vários hotéis e pensões, registando um crescimento significativo até meados do século passado. Com o declínio das termas, inicia-se a emigração na freguesia, nomeadamente na década de 60, sobretudo para França e Alemanha e para o sector da construção civil, mas também para as ex-colónias africanas, nomeadamente para a produção e comercialização de café. De acordo com Floripo Salvador (2004, p.69), “a vila não ficará também indissociável do fenómeno da emigração clandestina para a Europa pois era um ponto de passagem de muita gente que ia à procura de uma vida melhor, chegando a funcionar como uma espécie de quartel-general onde batalhões de pessoas chegavam disfarçadamente pela calada da noite”, chegando a “devorar a comida que os passadores lhe haviam providenciado, junto das pensões e tabernas locais”. Na década de 70, com o encerramento do balneário termal verificou-se um grande abandono de população que saiu à procurou de emprego, na sua maioria para o estrangeiro (França e Alemanha) mas também para o litoral do país, sobretudo para a região do Porto, contudo o regresso de emigrantes das ex-colónias permitiu suavizar o abandono populacional, tendo regressado cerca de 10 pessoas naturais da freguesia, mas o crescimento da freguesia deveu-se à instalação em duas unidades hoteleiras da vila de várias famílias provenientes das ex-colónias africanas, estimando-se em mais de 200 imigrantes, que permaneceram na freguesia sensivelmente entre 1975 e o início da década de 80, sendo subsidiados pelo Instituto de Apoio ao Retorno dos Nacionais (IARN).
Durante a década de 80 os hotéis voltariam a funcionar, embora fossem muito mal aproveitados, mantendo-se o fluxo emigratório na freguesia, embora em menor proporção ao registado nas décadas anteriores, nomeadamente para os EUA (onde o concelho de Chaves tem tradição no destino da emigração), Suíça e Luxemburgo, uma grande parte para trabalharem na hotelaria, tendo em conta a experiência que muitos residentes já tinham nesse ramo, mas também para a construção civil, nomeadamente no Luxemburgo e nos EUA. Na década de 90, a emigração continua a ter impacto na diminuição populacional, tendo como destinos preferenciais a Suíça e Luxemburgo, mas também França e Alemanha. O abandono de população jovem também se faz sentir para as principais cidades do litoral do país (Porto, Braga, Lisboa), derivado da entrada no ensino superior. Desde a década de 90, a contrapor ao abandono da população mais jovem, tem-se verificado o regresso de emigrantes, nomeadamente dos EUA donde regressaram mais de 50 pessoas, que tem vindo a aumentar crescentemente o envelhecimento da população, contudo o número de nascimentos no últimos anos (média de 20 por ano) foi superior ao número de óbitos (média de 15 por ano), prevendo-se, a médio prazo, um rejuvenescimento da população com a atracção de jovens para a freguesia. não só de emigração se caracterizou a freguesia, também de imigração, “existindo uma componente muito forte de gente oriunda do exterior periférico e não só”, instalando-se “com actividades comerciais que se têm vindo a multiplicar através de várias gerações”, existindo “muitas famílias que adoptaram Vidago como a sua terra e jamais a abandonaram” (Salvador, 2004, p. 69 e 70).
É ao longo da década de 90 que o balneário e as termas atingem o seu pior período, tendo sido vendidos por três vezes, em que todos os proprietários prometiam grandes investimentos, mas apenas recentemente se iniciaram os investimentos para a sua recuperação. Com a agricultura muito pouco atractiva, a esperança da freguesia é mesmo a requalificação que está a ser feita em termos de oferta turística, com investimentos de mais de 6 milhões de euros no Palace Hotel e infra-estruturas associadas (projecto considerado PIN), que virão trazer um maior dinamismo ao aglomerado, quer em termos de criação de emprego, quer na atracção de turistas. Nesse sentido, a junta de freguesia e a câmara municipal estabeleceram um acordo com a empresa proprietária do balneário termal no sentido de ceder a água para um balneário alternativo para a classe média e média/baixa que será construído pela câmara municipal, de modo a permitir uma maior atractividade turística, oferecendo valências pouco frequentes em outras zonas termais e terá uma escola de formação para a área termal, beneficiando do apoio de um professor de reconhecido mérito no termalismo. Embora a freguesia não tenha capacidade financeira tem, em colaboração com a câmara municipal, apostado no reforço, manutenção e melhoria dos serviços públicos, salientando-se a construção de um novo Posto da GNR permitiu manter os agentes e família), a construção de um novo centro de saúde de modo a evitar o seu encerramento, e a construção da EB2/3, onde trabalham mais de 100 pessoas (professores e funcionários). As autarquias têm procurado manter os equipamentos públicos, de modo a potenciar um maior investimento privado, no sentido de contrair o abandono populacional, tendo recentemente sido criada uma empresa para prestar apoio aos residentes e potenciais investidores para as candidaturas ao QREN, de modo a promover uma melhoria da oferta turística, sendo a estância termal de Vidago uma da prioritárias nos apoios financeiros.
A rede viária apresenta-se em boas condições e ajustada às necessidades da população, tendo sido fortemente melhorada com a abertura do IP3/A24 que veio melhorar as acessibilidades da freguesia, beneficiando directamente com o nó de acesso à Vila, embora apenas quando o turismo tiver todas as intervenções concluídas se preveja uma maior atractividade, nomeadamente para os 2 campos de golf que estão a ser construídos (1 do hotel e 1 da Escola de Golf de Vidago, que há foi campeã nacional de Golf). A freguesia sempre esteve bem servida em termos de infra-estruturas de transportes, em resultado da passagem da EN2 e da existência de autocarros de transporte, bem como da existência de uma estação ferroviária da linha de caminho-de-ferro que ligava Chaves a Vila Real, sendo um meio de transporte muito utilizado pela população até ao seu encerramento. Após o encerramento a vila sempre esteve servida por transporte público, contudo o automóvel individual tornou-se no principal meio de transporte da população. A distância da sede de concelho permitiu manter um maior dinamismo, tendo em conta que a vila se tornou no principal pólo urbano de toda a zona sul do concelho (denominada Ribeira de Oura, onde residem actualmente cerca de 7000 pessoas mas chegaram a residir cerca de 15000 habitantes), sendo referência em termos de oferta de bens e serviços para 13 freguesias e 30 aglomerados rurais, realizando-se mesmo uma feira semana para servir a população de todos estes aglomerados mais próximos.
Em termos da vida económica local, o sector primário após a descoberta das águas deixou de ser o sector de ocupação da população da freguesia, contudo manteve sempre alguma importância na economia local. Porém, nos últimos anos tem vindo a diminuir significativamente a sua importância, existindo cada vez menos famílias com rendimentos exclusivos da agricultura, denotando-se um crescente abandono. Actualmente, são menos de 100 pessoas que ainda se dedicam à agricultura, na sua maioria como segunda actividade, sendo as explorações caracterizadas na sua maioria por minifúndios, existindo poucas propriedades com rentabilidade. A freguesia tem como principais culturas agrícolas os produtos hortícolas, a batata, o cereal e a produção vinícola, sendo actualmente o vinho a produção mais rentável, beneficiando da existência da Adega Cooperativa da Ribeira de Oura que comercializa a produção.
O sector secundário ainda é um dos principais pilares da economia local, devido às águas minero-medicinais, embora o engarrafamento de uma das marcas tenha sido transferido para Pedras Salgadas. Em meados do século XX, cerca de metade da população da freguesia estava empregada no engarrafamento das águas, enquanto actualmente apenas se encontram empregadas cerca de 20 pessoas, tendo uma das fábricas transferido o engarrafamento para Pedras Salgadas, tendo sido transferidos também alguns trabalhadores, contudo actualmente apenas 5 ainda se encontram lá empregados. A construção civil tem sido dinamizada, em grande medida pelos investimentos dos emigrantes locais, nomeadamente através da construção de habitação própria, empregando cerca de 50 pessoas (só uma empresa emprega cerca de 30 residentes), existindo ainda uma fábrica de mobiliário (10 trabalhadores) e 3 fábricas de alumínio (15 trabalhadores). Por último, no sector terciário, a freguesia encontra-se dotada de alguns serviços públicos, como são os casos de um posto de GNR, uma corporação de bombeiros, uma extensão dos serviços camarários através do posto de atendimento municipal, um posto de atendimento da Segurança Social, o mercado municipal, bem como diversos serviços de saúde, ensino e acção social, empregando cerca de 250 pessoas, sendo mais de metade residentes na freguesia. O turismo ainda emprega uma parte significativa da população, salientando-se que o Palace Hotel emprega cerca de 50 pessoas, prevendo-se que, com a abertura do Hotel SPA, Centro de Congressos, Campo de Golf e Museu – pólo de Serralves, venha a empregar 150 trabalhadores. No comércio, nos cerca de 100 estabelecimentos comerciais existentes, encontram-se mais de 200 trabalhadores, embora a maioria sejam os proprietários e/ou familiares, salientando-se existindo pelo menos 12 pessoas empregadas em 2 supermercados. Também fora do aglomerado se encontram alguns residentes empregados, com particular incidência na cidade de Chaves (cerca de 90%) nomeadamente nos serviços, mas também em Vila Real, Ribeira de Pena e Pedras Salgadas.
A freguesia tem cerca de 1000 fogos, dos quais cerca de 300 são de emigrantes (em particular dos EUA), sendo o número de alojamentos de segunda residência de população residente no país em número reduzido (menos de 10), contudo nos últimos tempos tem-se verificado uma grande procura de casas abandonadas para serem recuperadas por pessoas que residem em cidades do litoral. Durante os próximos 3 anos irá também ocorrer uma grande alteração na freguesia, nomeadamente com a conclusão das obras no Palace Hotel e Campo de Golf até final de 2010, e com a construção do Balneário termal e a requalificação do Hotel Avenida e do Hotel Vidago até final de 2001, prevendo-se um aumento da procura turística, mas também da empregabilidade na freguesia, contribuindo para o aumento da população da freguesia, nomeadamente de população jovem.

IN http://hdl.handle.net/10216/51026

Mourilhe (Montalegre) - uma freguesia continuadamente regressiva

CARACTERIZAÇÃO
Mourilhe é freguesia do concelho de Montalegre, situada no sector Norte do concelho, no limite com Espanha, localizando-se a Noroeste da sede de concelho.
Toda a freguesia se encontra na unidade de paisagem Serras do Larouco e Barroso, em zona de montanha com uma altitude média superior a 1100 metros, tendo clima de terra fria de montanha.
Ocupa uma superfície territorial de 1708ha, tendo 8,4hab/km2 de densidade populacional. Integra os aglomerados de Mourilhe e Sabuzebo.A freguesia atingiu o máximo populacional em 1950 (613 habitantes), a partir da qual registou diminuições significativas da população, em particular nas décadas de 70/81 e 81/91, perdendo 77% da população de 1950 a 2001. Em 2001, tem 144 habitantes, tendo-se registado um aumento significativo dos idosos, que representavam, em 2001, 33% dos residentes, originando com que o índice de envelhecimento seja elevado.
Cerca de 42% da população não tem nenhum nível de instrução, 38% tem o 1º ciclo e apenas 4% tem instrução além do 3 ciclo.
Verifica-se a diminuição das famílias clássicas (-23%), aumentando os alojamentos (13%) e dos edifícios (13%).A freguesia apenas dispõe de vias municipais, encontrando-se a 9 minutos da sede de concelho, a 56 minutos da aglomeração regional, ultrapassando 75 minutos para aceder à cidade de equilíbrio regional.
Não existe rede de transportes local, nem praça de táxis, o que coloca esta população numa situação periférica.A freguesia dispõe de um posto de telefone público, 2 cafés e 2 mercearias, não tendo qualquer equipamento colectivo.
Apresenta uma elevada carência de funções não especializadas e um índice de marginalidade muito forte.
A população activa representa 50% dos residentes, existindo, em 2001, 72 indivíduos empregados, sobretudo no sector primário (60%), não existindo qualquer desempregado. Em 2005, apenas 1 indivíduo se encontrava empregado por conta de outrem, nomeadamente no alojamento e restauração. Embora a população agrícola e o seu peso na população total tenham diminuído, uma parte significativa da população ainda tem ocupação na agricultura (77%).
Os produtores singulares diminuíram (-14%), sendo os rendimentos de 88% dos produtos principalmente das actividades agrícolas.
As explorações diminuíram (-10%), aumentando substancialmente a área média das explorações, devido ao aumento da exploração por conta própria, em particular de área de pastagens.A SAU aumentou (90%), em grande medida derivado da inclusão de várias áreas de pastagem permanente (466ha), diminuindo a terra arável em cultura principal (-28%) e as culturas temporárias em cultura principal (-27%), denotando o abandono das terras e culturas mais exigentes em mão-de-obra.
Embora tenha diminuído, a vegetação arbustiva e herbácea ainda predomina (39,3%), verificando-se um aumento das zonas descobertas (representam 21,7%). As zonas agrícolas heterogéneas (21,1%) e as pastagens (18%) também têm expressão no uso do solo da freguesia.

ANÁLISE
Nos últimos 50 anos, a freguesia ficou fortemente marcada pela diminuição da população, embora tenha havido uma melhoria significativa das condições de vida dos residentes, nomeadamente em termos de infra-estruturas rodoviárias e infra-estruturas eléctricas, de abastecimento de água, condições sanitárias e comunicações, porém, a existência destas infra-estruturas não era a condição principal para a manutenção da população. Verificou-se também uma grande transformação na composição das famílias, que registaram uma grande diminuição do número de elementos, em parte resultante da continuada saída da população residente, nomeadamente dos residentes mais jovens.
A diminuição da população teve como principal factor a emigração para o estrangeiro, sobretudo a partir da década de 60, que foi quando começaram a emigrar as primeiras pessoas da freguesia, nomeadamente os residentes do sexo masculino, que saíram para França pois havia uma grande oferta de trabalho e uma consequente relativa facilidade na sua legalização, com empregabilidade predominante na construção civil e agricultura. Em virtude da emigração de alguns residentes durante a década de 60, na década de 70 intensificaram-se os movimentos migratórios para França, nomeadamente familiares e amigos dos emigrantes que lhes arranjavam empregabilidade, nomeadamente na construção civil, serviços domésticos e limpezas. Também nesta altura ocorreu o abandono de alguns residentes para os Estados Unidos da América. Nas décadas de 80 e 90 também houve muita emigração na freguesia, tendo como destinos França e os Estados Unidos da América, nomeadamente dos familiares dos emigrantes, surgindo a Suíça como destino preferencial da emigração, nomeadamente dos residentes mais jovens, cuja empregabilidade era maioritariamente na construção civil, hotelaria, restauração e limpezas. Embora com pouca representatividade em termos globais, durante os anos 80, também para Inglaterra partiram 2 ou 3 famílias. Desde o ano 2000, a generalidade dos mais jovens quando terminam a escolaridade obrigatória também acabam por emigrar (estima-se que tenham saído cerca de 20 residentes), cujo principal destino tem sido a França. Os poucos jovens que prosseguiram para o ensino superior (Braga e Porto) acabam por não regressaram nem à freguesia nem ao concelho, pois não têm empregabilidade.
Na freguesia existem alguns emigrantes, idosos já reformados, que regressaram (cerca de 12 pessoas), tendo regressado todos à freguesia, dedicando-se ao cultivo das suas propriedades agrícolas, numa agricultura familiar para auto-consumo. A generalidade dos filhos dos emigrantes não voltaram nem pensam em voltar, regressando apenas durante o período de férias (Julho e Agosto), quando a população presente ultrapassa 400 pessoas, pois regressam os emigrantes e as respectivas famílias. O regresso dos emigrantes mais idosos e o abandono dos mais jovens originou um forte envelhecimento na população da freguesia, existindo actualmente menos de 25 residentes com menos de 30 anos, pois número de nascimentos é cada vez menor (existem 7 crianças com menos de 10 anos). O facto de a população estar dividida em dois aglomerado não é considerado influenciador de um maior esvaziamento demográfico, tendo em conta que as pessoas saíram à procura de salários e melhores condições de vida, devido à reduzida empregabilidade e à pouca rentabilidade da agricultura. Nem a freguesia nem o município tem ou teve qualquer estratégia para a manutenção da população, não existindo forma de fixar a população nas aldeias da freguesia.
A rede viária da freguesia é considerada de razoável qualidade, embora existam algumas ruas que se encontram em mau estado ou são muito estreitas, limitando a circulação automóvel. Antigamente as pessoas deslocavam-se a pé ou a cavalo até à sede de concelho que é o principal local onde os residentes locais se deslocam, porém actualmente deslocam-se maioritariamente de automóvel particular, enquanto os residentes que não têm transporte próprio se deslocam à boleia de amigos e familiares ou com recurso ao táxi, pois a freguesia nunca esteve servida por transportes públicos. A curta distância à sede de concelho não teve influência no esvaziamento populacional, porém o elevado tempo de acesso aos principais centros urbanos da região foi determinante na saída da população pois a empregabilidade existente nas proximidades da freguesia era reduzida e muito limitada a trabalhos agrícolas que são muito pouco atractivos para a população jovem.
Na freguesia não se encontra em funcionamento qualquer equipamento colectivo, existindo apenas 2 minimercados e 2 cafés, embora a freguesia seja servida por vendedores ambulantes quer de pão, quer de peixe, carne e fruta, os quais são importantes para a população idosa com maiores dificuldades de deslocação. Os residentes têm de se deslocar à sede de concelho para poderem aceder aos vários equipamentos colectivos e aos vários serviços, públicos e privados, incluindo a generalidade dos serviços e o comércio não alimentar. A igreja e a antiga escola (funciona o bar convívio da associação da freguesia) são espaços ainda muito utilizados pela população, embora a socialização dos residentes seja sobretudo feita nas ruas. A freguesia não está servida por serviços móveis, contudo seriam importantes pois evitariam que os residentes se deslocassem à sede de concelho, em particular para os mais idosos.
Antigamente, alguns residentes tinham empregabilidade na agricultura em 3 ou 4 casas de famílias mais ricas que davam trabalham e pagavam a denominada jorna, existindo também alguns residentes que exploravam propriedades dessas famílias em parceria com os patrões. Também a generalidade dos residentes tratava das suas propriedades, cultivando alguns produtos que serviam de base à sua sustentação, nomeadamente a batata, o milho e o centeio, para além dos vários produtos hortícolas. A criação de bovinos de carne era uma das principais fontes de rendimento dos residentes, nomeadamente através da venda dos vitelos, sendo os animais também muito utilizados nos trabalhos agrícolas. Actualmente, a agricultura continua a ocupar uma grande parte dos residentes, embora não exista pessoas empregadas na agricultura por conta de outrem, trabalhando cada um para si, nas suas propriedades ou nas propriedades de familiares, nomeadamente algumas propriedades dos emigrantes que estão cedidas a terceiros. Os produtores existentes são na sua maioria de média idade ou idosos, sendo a criação de bovinos de carne frequente na generalidade dos produtores pois é a sua principal fonte de rendimento, existindo cerca de 250 bovinos na freguesia, na sua maioria de raça barrosão. O cultivo de batata, milho e centeio têm reduzida expressão em termos de vendas, sendo utilizados maioritariamente na alimentação das famílias e dos animais, enquanto o cultivo de horta familiar é frequente na generalidade das famílias, donde obtêm alguns produtos hortícolas para a sua alimentação. A criação de caprinos também se encontra presente na freguesia, sendo a principal fonte de rendimentos de 3 famílias, existindo também criação de suínos em algumas famílias, nomeadamente para a produção de fumeiro, que é utilizada por algumas famílias para a obtenção de rendimentos complementares, usufruindo da venda na feira de fumeiro realizada na sede do concelho e, em consequência, através da venda directa a particulares que se tornaram clientes fixos dessas famílias. Existem 3 residentes empregados em empresas de construção civil de outras freguesias do concelho, enquanto na sede de concelho trabalham 7 residentes, nomeadamente no comércio e serviços. Os estabelecimentos comerciais são a fonte de rendimento de 2 famílias (minimercados e cafés), enquanto 2 residentes se encontram empregados na unidade de turismo rural existente na freguesia, sendo um elemento fundamental para o turismo da freguesia, nomeadamente ao fim-de-semana e em épocas festivas. De salientar ainda que existem 2 ou 3 casas na freguesia de segunda residência, nomeadamente de pessoas naturais da freguesia que residem em outros locais do país, nomeadamente no Porto e em Braga.
Nos próximos anos, de acordo com as gentes locais, a freguesia ficará mais pobre e cada vez com menos gente pois quem parte não regressa e existem muitos residentes idosos, perspectivando-se que, daqui a 10 anos, existam apenas 80 residentes. Não existe por parte da freguesia e do município uma clara estratégia de dinamização e revitalização, intervindo-se apenas na melhoria das condições de vida dos residentes e prestando apoio aos residentes locais na realização de projectos agrícolas e dos subsídios de apoio à agricultura. Finalmente, é salientado que os apoios prestados dificilmente inverterão a situação de crescente despovoamento, pois é um fenómeno a que não há volta a dar.

IN http://hdl.handle.net/10216/51026

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Soutelo Mourisco - uma freguesia continuadamente regressiva

CARACTERIZAÇÃO
Soutelo de Mourisco, freguesia do concelho de Macedo de Cavaleiros, situada no extremo NE do concelho, no limite do concelho com os concelhos de Vinhais e Bragança.
Encontra-se na Terra Fria Transmontana, em zona de montanha (fraldas da serra de Pombares), ocupando uma superfície de 1248ha, que representa uma densidade populacional inferior a 5hab/km2.
Integra os aglomerados de Cabanas, Soutelo Mourisco e Vilar D’Ouro.A freguesia perdeu 79,6% da população entre 1950 e 2001. Na década de 50/60 ainda regista um aumento populacional, atingindo o máximo populacional em 1960 (323 habitantes). Nas décadas seguintes diminui de forma significativa. Em 2001, tem 60 habitantes, sendo 25 em Cabanas, 21 em Soutelo Mourisco e 14 em Vilar D’Ouro. Os jovens têm cada vez menor peso (13% em 2001) e o peso da população idosa aumenta, denotando-se num forte agravamento do índice de envelhecimento.
Cerca de metade da população não tem nenhum nível de instrução e 5% tem instrução acima do 1 ciclo.
Verifica-se a diminuição das famílias clássicas (-43%), manutenção dos alojamentos e dos edifícios.A freguesia apenas dispõe de vias municipais, encontrando-se a cerca de 30 minutos da sede de concelho e a 40 minutos da aglomeração regional, ultrapassando 90 minutos para aceder à cidade de equilíbrio regional.
Não existe rede de transportes local, nem praça de táxis, o que coloca esta população numa situação periférica.A freguesia dispõe apenas de uma função (posto de telefone público). O equipamento escolar existente, em 2002, à data encontra-se encerrado.
Apresenta uma elevada carência de funções não especializadas e um índice de marginalidade muito forte.A freguesia tem uma reduzida percentagem de população activa (10%), tendo somente 4 indivíduos empregados, em 2001, em particular no sector secundário (75%), contudo existiam apenas 2 desempregados. Em 2005, já não existe nenhum indivíduo empregado, derivado do facto da maioria da população não ter qualquer actividade. A maior parte da população tem ocupação no sector agrícola, sendo a população agrícola (62 indivíduos), em 1999, superior à população residente (60 indivíduos), em 2001, contrariamente ao que ocorria no período anterior.
As explorações diminuíram, mas também a área média da exploração, em virtude da menor área de SAU explorada, sendo cada vez menos os agregados familiares com actividade exclusiva na actividade agrícola.Refira-se a diminuição na utilização das terras, excepto nas culturas permanentes e nas matas e florestas sem cultura sob coberto, que denotam o crescente abandono das terras e das culturas mais exigentes em mão-de-obra.
A vegetação arbustiva e herbácea predomina e registou aumento (205ha), existindo também aumento da área de floresta (25ha), diminuindo as zonas agrícolas heterogéneas (ainda representam 30% da área da freguesia), situação que se encontra associado ao crescente abandono da freguesia.

REFLEXÃO
A dinâmica de recessão da freguesia foi fortemente marcada pela emigração da população para o estrangeiro, tendo sido impulsionada pelo efeito de imitação/difusão a partir de um ex-residente entretanto emigrante em França. Ou seja, um habitante local emigra e vai arranjando trabalho para outros, enquanto um “passador” dá apoio na passagem da fronteira, originando ciclo sucessivo (iniciado em 1965) com efeitos cumulativos que leva a população local, na sua maioria, para França. Os habitantes procuram novas formas de vida, pois a única fonte de rendimento é a agricultura e esta era cada vez menos rentável. Mais recentemente, a partir dos anos 1990, surge uma nova onda de emigração, com a generalidade da população a emigrar, sobretudo para França e Suíça, ficando sobretudo os mais idosos, originando o despovoamento generalizado da freguesia. Aqui, as migrações de população para o litoral foram em número reduzido e sobretudo a partir da década de 90, tendo sido também muito poucos os que saíram da freguesia para ir para as cidades mais próximas.
O regresso dos emigrantes é praticamente inexistente. Nos anos 1970, foram pouquíssimos os que regressaram das colónias (3 ou 4 pessoas) e se instalaram na freguesia. Os emigrantes que na última década têm voltado não regressam para a freguesia, instalam-se sobretudo em Macedo de Cavaleiros e Bragança (4 famílias), existindo apenas dois casais que se instalaram na freguesia. Os filhos dos residentes que vão estudar/trabalhar para as cidades são poucos, mas também estes não regressam, vindo pontualmente à freguesia (fim de semana ou férias). Nenhum dos filhos dos emigrantes veio residir para a freguesia e, aparentemente também não foram para as cidades próximas.
A população da freguesia encontra-se bastante envelhecida, sendo muito poucos os jovens, existem apenas 6 habitantes com cerca de 10 anos, e no aglomerado de Vilar D’Ouro, o habitante mais novo tem 45 anos, tendo a grande maioria mais de 80 anos. Desde há 25 anos para cá, os nascimentos são em número muito reduzido, existindo mesmo um aglomerado onde não nasceu ninguém. No período de Verão, regressa muita gente à freguesia, nomeadamente os emigrantes e os respectivos filhos que vêm passar as férias, juntando-se mais de 300 pessoas, dando outra dinâmica e vida aos aglomerados. Existem também 3 a 5 famílias que residem na Área Metropolitana do Porto e que têm casa na freguesia, vindo, por vezes, passar o fim-de-semana e parte do tempo das férias.
O facto de a população estar dividida em três aglomerados, não teve influência no esvaziamento demográfico, sendo as principais causas das dinâmicas populacionais regressivas a baixa rentabilidade da agricultura tradicional, dados os custos das matérias-primas e dos fertilizantes, nomeadamente os adubos. Esta agricultura tradicional não está organizada e certificada para conseguir competir com os preços de uma agricultura de mercado. Os preços praticados são muito reduzidos face aos custos, sobretudo perante produtos que têm vindo a registar quedas de preços os vitelos valiam mais há vinte anos que valem hoje).
A rede viária apresenta limitações, existindo troços sem tapete betuminoso e que necessitam de ser melhorados, de modo a permitir diminuir a distância e o tempo de acesso à sede de concelho, contudo, a rede existente é suficiente para suprir as necessidades de deslocação, pois a população é muito reduzida. Antigamente as pessoas deslocavam-se a pé, ou usando os animais, indo muitas vezes, a pé até Santa Comba de Rossas (9 km) onde apanhavam o comboio. Também iam a pé a Macedo, nomeadamente para vender o carvão. Actualmente as pessoas deslocam-se de automóvel, embora não existam muitos na freguesia, pois os habitantes que têm automóvel acabam por transportar os outros, dado que não existe nenhum meio de transporte público (em tempos existiu uma carreira de ligação à sede de concelho) e não é muito utilizado o táxi. A distância à sede de concelho teve influência nas dinâmicas recessivas, pois alguns dos jovens que andam a estudar em Macedo de Cavaleiros acabam por ficar aí numa residência de estudantes. O transporte destes alunos teria de ser em táxi até à freguesia vizinha (Espadanedo) e de autocarro da Câmara Municipal para Macedo de Cavaleiros.
Desde há vários anos que a freguesia está servida de abastecimento de água, luz, telefone, tendo apenas à 12 anos ligação viária alcatroada entre os aglomerados da freguesia, contudo não foram estes elementos determinantes na evolução da população, sendo sobretudo a inexistência de oferta local de empregabilidade que desencadeou o abandono.
A freguesia nunca dispôs de nenhum tipo de comércio, sendo que o pão e a mercearia chegam à freguesia três vezes por semana, através dos vendedores ambulantes. Chegaram a funcionar 2 escolas, encontrando-se uma encerrada há cerca de 20 anos e a outra encerrou à 6 anos. Apenas a igreja e as 2 capelas são equipamentos utilizados pela população, sendo importantes dada a vocação religiosa, servindo também para a socialização entre os residentes, nomeadamente nos períodos antes e após as celebrações. Os espaços de utilização pública são em número reduzido.
Nunca houve empregadores, mesmo no sector agrícola. As pessoas que trabalham na agricultura, geralmente trabalham por conta própria, embora existisse uma grande entreajuda entre os vários habitantes. Nas duas últimas décadas, várias pessoas saem temporariamente para realizar trabalhos sazonais, pois a agricultura local é para subsistência, tal como foi ao longo dos tempos. A agricultura tradicional mecanizou-se mas continua a não se dirigir para o mercado. Cada vez mais os campos estão abandonados, pois existe pouca gente, mesmo os emigrantes que possuem terrenos têm cada vez mais dificuldades em arranjar quem fique entregue das suas propriedades. Os agricultores são idosos, muitos deles reformados, produzindo essencialmente batata, centeio e alguma castanha, e cultivando uma pequena horta para auto consumo. Os animais na freguesia são em número cada vez mais reduzido – existem poucos bovinos (7 vacas), 2 rebanhos de ovelhas e 1 de cabras. A comercialização das produções é feita pelos “comerciantes ambulantes” que passam na freguesia e adquirem os produtos, para depois os venderem nas feiras da região e a comerciantes de outras regiões. No caso dos animais, a venda também é feita através de intermediários, sendo contactados pelos produtores locais sempre que têm animais para vender.
A floresta encontra-se sobretudo em terrenos baldios, sendo gerida pela Comissão de Baldios, que tem 60% da produção, a qual tem vindo a aumentar por regeneração natural devido ao crescente abandono dos campos, nomeadamente nos terrenos baldios e mesmo em propriedades privadas abandonadas. A caça assume também alguma importância, atraindo alguns visitantes (Zona de Caça de Soutelo Mourisco), beneficiando a freguesia directamente das taxas e licenças de caça pagas pelos caçadores. O turismo não tem expressão económica, pois só aparecem alguns turistas, sobretudo estrangeiros, nomeadamente nos meses da Primavera e Verão. Um dos elementos de atracção local era o rali, que acabou por ser desviado para outros percursos, devido à presença local de habitats de lobos.
Nunca houve nenhum tipo de indústria localizada na freguesia e não há residentes locais a trabalhar fora na construção civil ou noutra actividade. Quando alguém arranja emprego fora, é sobretudo no comércio e serviços em Macedo ou Bragança, acabando por ir residir para essas localidades.
Segundo os residentes locais, daqui a 10 anos, a freguesia não terá mais de 10 pessoas, sendo uma situação irreversível.

IN http://hdl.handle.net/10216/51026

Cereja a caminho das 100 toneladas

Os responsáveis pela Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé (CAAF) estimam que os seus 60 hectares de cerejeiras atinjam este ano uma produção aproximada de 100 toneladas.


De acordo com o presidente da CAAF, Eduardo Tavares, as condições climatéricas que têm sido favoráveis tanto no período da floração, quer na época do rebentamento do fruto, factores que se demonstram “determinantes” para um “aumento da produção”, face a anos anteriores.
“ Este ano esperamos atingir as 100 toneladas de cereja. Para além das condições climatéricas favoráveis há uma série de novos pomares, que entraram na sua fase de plena produção”, observou o responsável.
Apesar das flores de cerejeira terem já desaparecido, nas árvores é já possível observar pequenos frutos em fase de desenvolvimento que atingiram a sua maturação lá para finais de Maio início de Junho.
No ano passado a produção de cereja registou quebras “significativas”, devido às geadas tardias que se abateram sobre a região onde estão concentrados os pomares da CAAF.
“ Na campanha da apanha de cereja do ano passado a produção rondou apenas as 40 toneladas, o que se traduz numa grande quebra de produção,” acrescentou Eduardo Tavares.
Agora com os olhos posto no futuro, os responsáveis pela CAAF esperam “duplicar” a sua produção de cereja face a este ano e ultrapassar as 200 toneladas, para assim entrarem em pleno no mercado nacional de comercialização de cereja.
“Com o previsto aumento de produção, pretendemos escoar o nosso produto para as grandes superfícies comerciais existentes no país, ao mesmo tempo marcar presença em certames de âmbito nacional com os que se realizam em Alfândega da Fé, Santarém ou Vila Nova de Gaia,” disse o dirigente da CAAF.


Por: Francisco Pinto, in Jornal Nordeste (03-05-2011).

Estou de volta

Passado algum tempo, estou de volta para divulgar as novidades de Trás-os-Montes e Alto Douro......

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O despertar do “país sonolento”: contributo das feiras de produtos locais para um novo projecto de desenvolvimento territorial

Com base nos dados do último censo, João Ferrão (2001) classificou 45% das freguesias portuguesas como “país sonolento”. Grande parte destes espaços encontram-se no interior do país, com particular incidência nas regiões Norte e Centro, correspondendo a territórios com perdas demográficas significativas que se encontram, muitas vezes, num “círculo vicioso de subdesenvolvimento” (Ferrão, 2001). Estes territorios de baixa densidade têm vindo, neste início de século, a dinamizar, com maior ou menor intensidade, processos de transformação indutores de mudanças significativas. Os territórios parecem estar a despertar. Entre as alterações mais visiveis, as feiras de produtos locais estão a contribuir para a criação de uma nova inteligência colectiva. Em torno destes eventos têm sido divulgadas produções, costumes e dialectos, originando o despertar dos territórios e das suas identidades. Funcionando como uma forma de manifestação da cultura popular, de promoção e divulgação do artesanato, da gastronomia, do folclore e dos produtos locais de qualidade, redescobre-se e reconstroiem-se os recursos locais, através da mobilização colectiva. São de certa forma uma montra dos municípios e da região, procurando a valorização dos lugares, das gentes e das produções locais.
A visão nostalgica do campo ganha uma força estratégica que está a “acordar” nos territórios de baixa densidade. Os territórios “sonolentos” estão a dinamizar processos de mudança, criando os novos alicerces para um novo projecto de desenvolvimento territorial. As feiras são apenas um dos sintomas desses processos. Com as feiras locais revaloriza-se o rural (enquanto memória, património e paisagem), através de uma alavancagem a partir das autarquias. Neste âmbito, é necessário aproveitar todos os recursos do território, apostar na identidade do lugar e na identificação do consumidor com o lugar - nas feiras os visitantes procuram uma imagem, uma representação do rural. Isto não significa que as imagens e as representações não estejam a ser reconstruídas.
O tema deste estudo focaliza-se nas feiras de produtos locais realizadas em Trás-os-Montes e Alto Douro. Com base em inquéritos realizados aos visitantes e expositores da feira do fumeiro de Vinhais e da feira da caça e turismo de Macedo de Cavaleiros, este artigo visa avaliar o real significado e importância destes acontecimentos na dinamização das actividades locais e manutenção da população, avaliar a sua visibilidade nos territórios urbanos e a capacidade de atracção de visitantes de fora do concelho e de fora da região/país, bem como a avaliação dos seus impactos. Apresenta-se uma analise detalhada dos resultados dos inquéritos realizados, os quais indiciam que estes eventos funcionam como um novo espaço de relacionamento urbano-rural, contribuindo para valorizar “novas actividades” em espaço rural, tendo grande importância na divulgação e venda dos produtos regionais por parte dos expositores locais. Finalmente, refira-se o peso dos visitantes com formação superior, sendo a área de influência destes eventos relativamente grande, com visitantes de várias partes do país e do estrangeiro.

Resumo de artigo a apresentar no VII Congresso de Geografia Portuguesa em Novembro de 2009.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Avenida dos Aliados transforma-se em Terreiro do Paço

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) promoveu, na passada quinta-feira, a apresentação do Plano Regional de Ordenamento do Território Norte (PROT N), que visa, segundo a comissão, promover e reforçar a coesão territorial da região Norte, contrariando as assimetrias intra-regionais, a competitividade social e económica, a equidade territorial e social de acesso a bens, serviços e oportunidades, a protecção dos recursos naturais e culturais, a eficácia e a racionalidade do uso do solo e a melhoria do sistema urbano metropolitano e regional.

O PROT prevê que Bragança se torne numa cidade regional, ao passo que Vila Real será rotulada como uma cidade de equilíbrio regional. Já Macedo de Cavaleiros e Mirandela serão consideradas centros estruturantes sub-regionais, classificações, portanto, que poderão ditar o esmorecimento da atracção de novos investimentos em Trás-os-Montes.

O edil brigantino; Jorge Nunes considera que o PROT vai condenar a região transmontana ao abandono. “O modelo territorial está completamente errado e isso vai condenar o interior ao esvaziamento de serviços e ao abandono da população, este documento devia contemplar a oportunidade de coesão e competitividade para o território da zona Norte no seu conjunto e não replicar modelos do passado, que dão mau resultado para o país”, referiu o autarca.“O modelo territorial está completamente errado”, considera Jorge Nunes

Este plano encontra-se presentemente em discussão pública, tendo já, Jorge Nunes, classificado o documento “de péssimo para a região de Trás-os-Montes, é uma proposta de planeamento unidireccional que privilegia um centralismo excessivo no Porto e não pensa o território de forma articulada com o território vizinho”, explicou o edil, indo mais ao longe ao afirmar que se este modelo territorial se manter, “vai resultar num empobrecimento do interior Norte, pela sua desqualificação em termos económicos e sociais”, afirmou.

Em sua defesa, o vice-presidente da CCDR-N, Paulo Gomes, afirma que o plano apenas “representa as condições mínimas que os municípios devem assegurar, para tornar a região norte mais competitiva” discordando solenemente que Bragança seja uma região penalizada e afiança que o município usufrui de muitos apoios, nomeadamente a nível cultural. A versão final do PROT estará concluída em finais de Agosto para depois ser submetida a aprovação por parte do Governo.

Vanessa Martins, Jornal Nordeste, 2009-07-22

Trás-os-Montes é das regiões mais pobres da Europa

A Associação Nacional das PME questiona «desperdício» dos fundos comunitários, depois da divulgação de um estudo que coloca a região Norte entre as mais pobres da União Europeia e Trás-os-Montes como a sub-região mais pobre.
O «Estudo sobre a Pobreza na Região Norte de Portugal», elaborado pelo Centro de Estatística da Associação Nacional das PME e pela Universidade Fernando Pessoa, para a Comissão Europeia, indica que a região Norte é a mais pobre de Portugal e está entre as 30 mais pobres das 254 regiões da UE25, enquanto Trás-os-Montes é classificada como a Sub-Região mais pobre da UE27.

Segundo o mesmo documento, enquanto em 2005/2006 havia cerca de 693 000 pobres na região, em 2009, existia cerca de um milhão «resultado do encerramento de muitas unidades fabris e falência de outras empresas que levaram ao despedimento de milhares de trabalhadores com a consequente redução dos seus rendimentos».

O presidente da Associação Nacional das PME, Fernando Augusto Morais, considerou que as conclusões do estudo são «surpreendentes», tendo em conta o investimento comunitário que foi canalizado para a região, através do Quadro Comunitário de Apoio III. «No ano 2000, as duas sub-regiões do Minho e Alto Douro e Trás-os-Montes foram identificadas como as mais pobres da UE-15. Por isso, a União Europeia injectou na região Norte cerca de sete mil milhões de euros entre 2000 e 2006 para que houvesse um crescimento de 4,5 por cento neste período, mas não só a região não cresceu como ainda por cima contém a sub-região mais pobre da UE-27», lembrou este responsável. «O dinheiro investido não atingiu os objectivos», resumiu Fernando Augusto Morais, criticando o «desperdício». O presidente da Associação considerou que é necessário responsabilizar as entidades responsáveis pela execução destes programas e o Estado e sublinhou que «os contribuintes europeus vão querer saber como foi aplicado este dinheiro». Fernando Augusto Morais lamentou também o facto de os recursos estarem «concentrados nos mais ricos».

O estudo refere que, apesar da Região Norte ser a mais pobre do país, é na Área Metropolitana do Porto que se encontram as duas maiores fortunas nacionais (Américo Amorim e Belmiro de Azevedo), bem como empresas líderes sectoriais e mundiais como a RAR e a CIN, a maior associação de grandes empresas do País (AEP) e a maior associação de jovens empresários (ANJE). O documento questiona ainda a abertura de cinco novos centros comerciais numa região onde existem já 25 destas grandes superfícies, o que «prejudicará o comércio tradicional, bem como o crescimento e o emprego».

«São visíveis situações de pobreza extrema, privação e precariedade», aponta o mesmo relatório, salientando que «a face mais visível desta «nova pobreza» é o aumento dos pedidos de ajuda alimentar junto das instituições de solidariedade social, muitas vezes, na sombra do anonimato onde se identificam professores desempregados e muitos outros técnicos superiores».

in Lusa, 2009-07-23

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Já são cerca de 30 as famílias de grandes capitais que querem viver em Vila Real

Ainda nenhuma autarquia do distrito mostrou interesse no projecto “Novos Povoadores”.
Nascido da vontade de um grupo de três jovens que viveram a experiência de trocar cidades de grandes dimensões por meios mais pequenos, reconhecendo assim “as mais-valias de uma vida mais tranquila sem prejuízo de uma presença profissional activa”, o Projecto “Novos Povoadores” começa a ganhar expressão a nível nacional conquistando o interesse de cerca de três centenas de famílias, 26 das quais avança o distrito de Vila Real como destino de preferência. No entanto, para já, os municípios ainda não se manifestaram sobre o projecto de repovoamento da zona interior do país.
Vinte e seis famílias, a maior parte do Porto, já mostraram interesse, através do Projecto “Novos Povoadores”, em ‘transferir’ a sua vida para concelhos do distrito de Vila Real, um processo que ambiciona “um equilíbrio territorial” nacional mas que espera agora pela adesão dos municípios.
“Neste momento não temos a adesão de nenhum município do distrito de Vila Real”, explicou Frederico Lucas, um dos mentores do projecto nacional que já despertou o interesse de 270 famílias.
Contando já com a “manifestação de interesse” por parte de várias Câmaras Municipais, entre as quais dez de Bragança, de realçar que os primeiros ‘povoadores’ a concretizar o desafio deverão instalar-se, no distrito de Évora, dentro de meses. Segundo o mesmo responsável, “o projecto não vai bater à porta” das autarquias, devem ser estas a aderir com o objectivo último de contribuir para o estanque do ciclo de “sangria demográfica” dos seus territórios rurais.
Relativamente ao que se espera dos municípios como moeda de troca para a fixação das jovens famílias, Frederico Lucas explicou que as Câmaras Municipais deverão acompanhar o processo contribuindo financeiramente apenas para as acções de formação que são desenvolvidas no sentido de preparar os novos moradores no que diz respeito ao projecto de trabalho que têm em mente, a maior parte na área do empreendorismo no sector agrícola.
A iniciativa “Novos Povoadores” assume o apoio ao projecto migratório, ou seja, “não dá dinheiro, nem arranja empregos”, ajuda sim as famílias a identificar necessidades e ofertas de habitação e na educação dos filhos, bem como acompanha o projecto empreendedor de criação do próprio emprego.
Nos últimos meses, a iniciativa tem ganho cada vez mais visibilidade a nível nacional. No entanto, Frederico Lucas explica que a opção ainda é proteger as famílias do mediatismo, sendo certo que, “na altura certa”, estas serão apresentadas.
O projecto nasceu quando Frederico Lucas (que optou por abandonar Lisboa), Ana Linhares e Alexandre Ferraz se conheceram em Trancoso e partilharam a sua própria experiência enquanto “Novos Povoadores”. “Foi um parto natural”, explicou o mesmo responsável, lembrando que depois de um período de cerca de quatro anos de estudo sobre o projecto este está agora prestes a dar frutos.
“Actualmente, 40 por cento da população vive nas áreas metropolitanas, onde se concentra 70 por cento do endividamento das famílias”, mas, se nada for feito, e segundo a Organização das Nações Unidas, em 2015, 70 por cento “da população portuguesa viverá nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto”.
Maria Meireles in http://www.avozdetrasosmontes.com/

“Carpooling” na UTAD vai funcionar já no próximo ano lectivo

Apesar de ainda estar a ser ultimado o estudo sobre a mobilidade na UTAD, o projecto de implementação do “carpooling”, o conceito de partilha de veículos, deverá ser uma realidade já no próximo ano lectivo. Os primeiros dados indicam que entram diariamente no campus três mil veículos, produzindo 1441,5 toneladas de CO2 por ano que, para serem compensadas ambientalmente, precisariam de cerca de cinco mil árvores. O incentivo à boleia organizada no esforço pela diminuição do tráfego automóvel poderá também ganhar uma dimensão concelhia com o desenvolvimento de um projecto da autarquia orçado em cerca de 1,3 milhões de euros, o “EcoMobiReal”
Com o objectivo de desenvolver, já a partir de Setembro, o “carpooling”, um grupo de investigadores e alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) está a estudar a mobilidade dentro do campus e os seus reflexos ambientais, tendo sido já calculado que seriam necessários 2,5 campus, idênticos ao actual em áreas verdes, para dar resposta às emissões de CO2 proveniente da circulação automóvel dentro da academia.
Três mil carros entram diariamente na UTAD, desses, cerca de metade leva apenas um ocupante. Fazer com que a comunidade universitária se una na partilha do meio de transporte individual é o grande objectivo do “carpooling”, um conceito que não é novo mas que o projecto da UTAD quer que ganhe novos contornos.“Primeiro estamos a tentar perceber como funciona a mobilidade dentro do campus”, qual o principal meio de transporte utilizado, qual o perfil do parque automóvel e que disponibilidade apresenta a comunidade universitária à possibilidade de partilhar as viagens, explicou Luís Ramos, professor do departamento de engenharia e um dos responsáveis pelo grupo de trabalho composto ainda por Ricardo Bento, Sílvia Silva, Miguel Martins, Maria de Lurdes Martins e Marco Teixeira.
Segundo o mesmo docente, o passo seguinte será implementar as plataformas que vão permitir que as pessoas comuniquem entre si e se organizem na partilha das viagens, sendo de realçar, por exemplo, que quatro em cada dez estudantes, se deslocam em viatura própria até ao campus.
Quando os meios de comunicação entre condutores e passageiros estiverem afinados, quer seja via Internet, telemóveis ou outros suportes, os investigadores acreditam que será possível os estudantes organizarem-se de acordo com a sua área de residência ou tendo em conta o facto de pertencerem a um determinado grupo. O objectivo passa não só pela partilha nas deslocações diárias à UTAD, mas também nas viagens ao fim-de-semana, para os alunos que são de fora, e mesmo nas saídas nocturnas até bares e discotecas, estando prevista aqui uma colaboração com a alguns estabelecimentos de diversão.O docente da UTAD advertiu para o facto de que se não houver um incentivo à partilha das viaturas, as pessoas acabam por não aderir, por isso, ficará a cargo da Associação Académica a animação do projecto. “Pode-se criar, por exemplo, uma espécie de competição entre determinados grupos” unidos por turma, ano, redes sociais, etc., explicou Luís Ramos.
O mesmo sistema de recompensa poderá ser utilizado também com sucesso na desejada replicação do projecto às escolas do Ensino Secundário onde, como sublinhou o investigador, se pode sensibilizar os pais e encarregados de educação, através dos filhos, desde que estes se sintam motivados, e uma forma de o fazer é, por exemplo, calcular a pegada ecológica da mobilidade ao fim de um mês de boleias e premiar os melhores resultados.
Além do projecto que se está a desenvolver no campus, a UTAD é também parceria de uma candidatura que a Câmara Municipal de Vila Real apresentou, no último mês de Maio, ao Programa Polis XXI e que visa, exactamente, melhorar as condições de mobilidade dos cidadãos ao nível do concelho.
Denominado “EcoMobiReal”, o projecto incluiu um conjunto de iniciativa inovadoras que vão permitir aos cidadãos deslocarem-se melhor na cidade e ao mesmo tempo “reduzir as emissões de carbono o que, consequente se reflecte a nível ambiental”, explicou Miguel Esteves, vereador da autarquia responsável pelo pelouro do ambiente.
Um das acções previstas no projecto é a criação de uma “via verde” que vai permitir aos peões deslocarem-se com segurança pelas principais zonas da cidade.
O “Pedibus” é outro dos conceitos que a autarquia quer implementar e que consiste, nem mais nem menos, numa ‘linha de autocarro pedonal’ que ligará vários pontos da cidade às escolas. Um grupo de pais ou voluntários desloca-se a pé a determinadas horas, estabelecidas previamente, e pelo percurso, também ele delimitado, vai recolhendo as crianças que se vão encontrando junto das ‘paragens’, um projecto que o município de Lisboa já tentou pôr em prática.
Outra das muitas vertentes da candidatura passa pelo reforço da confiança dos cidadãos nos transportes públicos através da fiabilidade dos horários e redução de tempos de espera. “Serão instalados GPS nos autocarros e pequenos visores nas paragens vão indicar onde o veículo se encontra e quanto tempo demora”, explicou Luís Ramos, revelando que deste modo melhora-se a eficiência e conforto do serviço e evita-se a ansiedade dos utentes.
Segundo Miguel Esteves o “EcoMobiReal”, cujo resultado da candidatura deverá ser conhecido já em Julho, vai ser monitorizado constantemente para que se possa tirar as conclusões sobre a componente ambiental que lhe está associada.
Maria Meireles in http://www.avozdetrasosmontes.com/

terça-feira, 16 de junho de 2009

Esperadas mais de 10 mil pessoas nos “Concertos de Verão”

O brasileiro Chico César é o cabeça-de-cartaz da edição deste ano dos Concertos de Verão que prometem “arrastar” mais de 10 mil pessoas ao auditório exterior do Teatro de Vila Real. O fadista Carlos do Carmo abre o primeiro de 12 concertos de “world music” que prometem animar as noites de Verão.
De 13 de Junho a 29 de Agosto, a “world music” sobre ao palco do auditório exterior do Teatro de Vila Real, todos os sábados, às 22.30h. Os 12 concertos deste 6º Festival de Músicas do Mundo trazem até Vila Real espectáculos de nove países. Espanha, Itália, Alemanha, Polónia, Argentina, Brasil e Cabo Verde marcam presença numa “edição particularmente forte”, segundo afirmou o director do Teatro de Vila Real, Vítor Nogueira.
Mais uma vez, o concerto de abertura cabe a um português, desta feita o fadista Carlos do Carmo, espectáculo incluído nas Festas da Cidade. Vítor Nogueira destacou os dois concertos únicos no País e a estreia de duas digressões internacionais. O grupo brasileiro Barlavento inicia a sua digressão em Vila Real, com os sons da música tradicional de Salvador da Bahia, a 4 de Julho. O cabeça-de-cartaz Chico César também se estreia em Vila Real no dia 11 de Julho. O grupo Romengo, da Roménia, dá um concerto único em Vila Real, a 8 de Agosto, tal como os checos V3SKA (Vaitraiska) que trazem a Vila Real os ritmos do ska, a 22 de Agosto.
O coordenador do departamento de Produção e Programação do Teatro de Vila Real, Rui Araújo, acredita que o cartaz deste ano tem “capacidade para mobilizar o público” e espera que ultrapasse os 10 mil espectadores que assistiram aos espectáculos, no último ano. Por esta “montra de culturas e tradições” vão ainda passar os ritmos do flamenco com os Al-Mansour, acompanhados por um dos mais conceituados bailarinos andaluzes da actualidade, “El Choro”.
A jovem Danae nasceu em Cuba mas cresceu em Cabo Verde e agora mora em Portugal. A mistura dessas influências promete um espectáculo de ritmos quentes com mornas cabo-verdianas a 27 de Junho. O tango também marca presença com a Orquestra Típica Fernández Fierro, constiuido por 12 elementos vindos da Argentina, e que actua a 18 de Julho. Segue-se uma outra orquestra, os espanhóis Always Drinking Marching Band, mais virada para o dixie, a 25 de Julho. No primeiro sábado de Agosto, chegam os sons dos Balcãs com a Municipale Balcânica, de Itália.
Mercedes Péon, nomeada “Melhor Artista do Ano” pela revista “Folkworld”, é a primeira “repetente” nos Concertos de Verão. Depois de 2004, a espanhola volta a Vila Real, a 15 de Agosto, em representação da diversidade cultural do país vizinho. Os alemães Polkaholix encerram o Festival com os ritmos divertidos da polka. O orçamento é, segundo Vítor Nogueira, “ligeiramente superior ao do ano passado”, na ordem dos 90 mil euros. Os concertos transferem-se para o interior do Teatro de Vila Real, caso as condições meteorológicas assim o exijam.
Sandra Borges in http://www.noticiasdevilareal.com

Feira do granito é o evento mais importante de Vila Pouca de Aguiar

O granito de Vila Pouca de Aguiar vai estar em destaque durante quatro dias. A sétima edição da Feira do Granito arranca na próxima sexta-feira, dia 19. No recinto de exposição, a área compreendida pelo gimnodesportivo, parque e campo da escola secundária local, os visitantes poderão observar os diferentes tipos de granito, o Cinza Pedras, o Amarelo Real e Cinza Real.
Além da promoção daquela que é uma das maiores fontes de riqueza do concelho, a feira é um espaço privilegiado para muitos construtores civis e particulares estabelecerem contactos com os empresários do granito.“É o evento sócio-económico mais importante” do concelho, garante o presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Domingos Dias. Segundo a autarquia, o sector gera mais de 30 milhões de euros por ano e emprega cerca de duas dois mil empregos directos.
A feira decorre no recinto da Escola Secundária durante quatro dias Associada à Feira estão também as jornadas ambientais que, há seis anos, decorrem em paralelo com o certame. Este ano, entre outros, vão ser debatidos temas como a gestão de aterro de resíduos inertes na recuperação paisagística das pedreiras; a problemática dos resíduos da indústria do granito; a importância das árvores no meio urbano; a qualidade da água...
Paralelamente, o certame inclui ainda um programa de animação musical e desportivo, como as Provas do Campeonato Regional de Santo Huberto.

Margarida Luzio, in Semanário Transmontano, 2009-06-15

terça-feira, 2 de junho de 2009

Feira da Cereja de Alfândega da Fé

Alfândega da Fé abre portas de certame que se realiza de 10 a 14 de Junho

A Feira da Cereja de Alfândega da Fé, que terá lugar de 10 a 14 de Junho, fica marcada pela quebra de produção do fruto que lhe dá o nome. No entanto, a Câmara Municipal de Alfândega da Fé (CMAF) considera que as cerejas não faltarão no evento, onde serão vendidas a 1,50 euros o quilo. “Falámos com os produtores para garantirem o stock e não pensamos que possa esgotar”, explicou o presidente da CMAF, João Carlos Figueiredo. Além deste fruto, o certame promove, ainda, produtos biológicos. “Queremos apostar na divulgação dos produtos da terra, nomeadamente os do sector agrícola”, sublinhou o autarca. Nos cinco dias dedicados à cereja, milhares de pessoas passarão por Alfândega da Fé, esgotando todas as unidades hoteleiras. “No total, temos cerca de 150 camas disponíveis no concelho que ficarão lotadas. Contudo, o importante é publicitar a região”, adiantou o edil. Para atrair ainda mais visitantes, a autarquia optou por colocar entrada livre para todas as pessoas. “Ao contrário do que se pensa, é uma forma de diminuirmos encargos com a segurança para controlar as entradas, que eram vendidas por uma quantia simbólica”, justificou João Carlos Figueiredo. No que toca ao entretenimento, subirão ao palco do certame artistas como Fernando Pereira, Santa Maria, Jorge Ferreira e Rita Guerra. Também marcarão presença grupos tradicionais, como Rancho Folclórico e Etnográfico “As Moleirinhas de Casconha”, os Grupos de Danças e Cantares de Vilarchão, de Sambade, da Santa Casa da Misericórdia de Alfândega da Fé, Gebelim, Parada, bem como a Banda Municipal de Alfândega da Fé. Artistas conhecidos marcam presença no evento As actividades desportivas são outras das vertentes em destaque na Feira da Cereja com os torneios de Futebol 7 – Infantis e Futebol 5 – Veteranos e a terceira edição da Milha das Cerejas, organizada pela Associação de Atletismo de Bragança, CMAF e Associação Industrial e Comercial de Alfândega da Fé. Além disso, destaque, também, para o espectáculo de demonstração cinotécnica, que conta com a participação da Força Aérea Portuguesa.
Por Sandra Canteiro in http://www.jornalnordeste.com

Produtos de excelência no estrangeiro

Dez empresas envolvidas
“Internacionalizar Trás-os-Montes Gourmet” e é o nome do projecto desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento da Rota do Azeite de Trás-os-Montes (ADRATM) e que pretende divulgar, fora de Portugal, vários produtos de excelência da região, como o vinho, os enchidos, os frutos secos e a panificação do Nordeste Transmontano e Douro Superior. O projecto de internacionalização foi aprovado no âmbito do novo QREN em 48%, dos 104 mil euros de custo total. Representando alguns riscos aos produtores envolvidos neste projecto, pelo capital financeiro assumido. A coordenadora da entidade promotora, Cristina Passas revela que o primeiro passo foi “tentar convencer as empresas que querem seguir esse rumo para aproveitar os fundos comunitários que existem”, tendo e conta que só através da exportação é que “podem valorizar as suas empresas e o território” refere. Cristina Passas revela ainda que “só as mais capazes, já certificadas, é que aceitaram este desafio porque é para aí que querem dirigir-se”. O objectivo deste projecto centra-se na internacionalização de produtos de qualidade superior num mercado já por si muito selectivo, o mercado Gourmet. Para já estão garantidas as presenças nas feiras da especialidade da Bélgica e Alemanha. As 10 empresas que se associaram à internacionalização, apesar de já exportarem para outros países, estão expectantes quanto à aceitação por parte deste sector de produtos de excelência. “Achamos que era interessante participar neste projecto pois o primeiro objectivo é ganhar clientes” afirma a responsável da empresa Eurofumeiro que recentemente lançou no mercado as alheiras de bacalhau e vegetariana. “Nós esperamos que tenha sucesso” afirma Se tudo correr como o desejado, novos mercados fora do continente europeu, serão explorados por este projecto.
Por Fernando Pires in http://www.mensageironoticias.pt/

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Investimentos na região têm de ser aproveitados

Numa altura em que se prepara o início das obras da Auto-estrada e decorre a construção do Túnel do Marão, investigador da UTAD pede maior dinamismo aos órgãos de poder local.

Aproveitar a construção das grandes obras em curso na região para promover o seu desenvolvimento e não esperar que estejam concluídas para se “pensar o futuro”. O repto foi deixado pelo coordenador do Grupo de Estudos Territoriais da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Luís Ramos, durante o fórum “O Futuro é Hoje”. Este encontro serviu também para anunciar o início dos trabalhos do Túnel do Marão e que a Auto-estrada Transmontana (AT) arranca já no próximo mês.
A organização deste debate, que decorreu de 26 a 28 de Maio, esteve a cargo do Núcleo de Engenharia Civil e juntou no painel de discussão os altos quadros das empresas Iberdrola Portugal, EDP, Somague, Soares da Costa e Mota-Engil.
Da apresentação dos projectos das Barragens do Alto Tâmega e do Tua, do Túnel do Marão e AT, os participantes, na sua maioria alunos da academia, puderam retirar vários conhecimentos. Francisco Silva, administrador da Somague, a empresa a quem foi concessionada a construção do Túnel do Marão, referiu que os trabalhos já foram iniciados. A obra permitirá a ligação subterrânea entre os 5665 metros que separam Amarante e Vila Real. Durante os 44 meses de trabalho, cerca de 900 pessoas estarão envolvidas, naquele que representa um investimento de 400 milhões de euros. Este troço será depois ligado à AT entre Vila Real e Bragança. Esta segunda infra-estrutura, igualmente de capital importância para a região, começará os seus trabalhos práticos durante o próximo mês. Esta garantia foi deixada pelo administrador da Soares da Costa, António Fraga, empresa responsável pelos trabalhos. A via estende-se ao longo de 186 quilómetros e tem como concelhos directamente atingidos Amarante, Vila Real, Sabrosa, Murça, Alijó, Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Bragança, num total de cerca de 250 mil pessoas. Já em desenvolvimento está também o complexo hidroeléctrico do Alto Tâmega, que terá a exploração da Iberdrola Portugal.
Estes três exemplos, a que se juntam a construção do Itinerário Complementar 5 e o Itinerário Principal 2, são para Luís Ramos essenciais para região, mas já no “imediato”. Para este investigador, será um erro esperar o fim da construção como factor de desenvolvimento. “Julgo que os presidente das câmaras, as associações empresariais, os grandes responsáveis políticos da região ainda não se aperceberam que este investimento vai arrastar e mexer muito com a região.” Luís Ramos não compreende a “passividade e quase desinteresse dos agentes locais”, naquilo que concerne a mover esforços e aproveitar o dinamismo criado pelas obras em fase de execução. “Será necessária não apenas a mão-de-obra, mas também o fornecimento de refeições, bens e serviços de todo o tipo, como de engenharia ou da própria publicidade. Se a região não se organizar e não estiver preparada para agarrar as oportunidades, passa tudo ao lado”, referiu o coordenador do Grupo de Estudos Territoriais da UTAD. Nestes próximos oito anos, o investimento em novas infra-estruturas rondará os quatro mil milhões de euros. Ainda segundo Luís Ramos, também a administração central não está compreender o interesse deste tipo de obras, sob o ponto de vista do desenvolvimento de outro tipo de actividades, que não a infra-estrutura propriamente dita. Para o investigador, tudo é visto como numa “lógica meramente de mercado”, esquecendo o “desenvolvimento regional”. “Mais do que deixar a estrada ou barragem tem de se alavancar um determinado tipo de dinâmicas para potenciar outro tipo de actividades na região”, reforçou. Outras das preocupações, para as quais é preciso alertar, é a “responsabilidade social das empresas”. “Deixam umas migalhas na região, fazem uns pequenos contratos de serviços, mas não entendem a sua verdadeira responsabilidade, ou seja, o papel que podem ter no desenvolvimento da região”, sublinhou. Para este investigador, as grandes multi-nacionais que vão estar envolvidas nos trabalhos devem usar a sua “competência e conhecimento” para impulsionar as empresas e actividades da região. Para que assim seja, a iniciativa não terá de partir apenas das grandes companhias. Os órgãos de poder, locais e nacionais, deverão, à semelhança do que se faz noutros países, assegurar que o desenvolvimento seja uma realidade. E nunca esperar pela conclusão das obras. “O emprego criado depois da obra concluída é muito pequeno, mas se, durante a construção, empresas em muitos sectores forem ajudadas a crescer e a desenvolver-se, a região vai apresentar um tecido económico muito mais forte e activo no futuro”, acrescentou Luís Ramos.
Frederico Correia in http://www.mensageironoticias.pt/

Famílias do litoral querem povoar interior

Projecto “Novos Povoadores” tem candidatos interessados. Fixação na região poderá ser uma realidade em 2010/11

Habitam maioritariamente no distrito de Lisboa e do Porto e há cerca de três anos que vêm congeminando a ideia de se mudarem para um território de baixa densidade, ou seja, para o interior do país. Bragança é um dos distritos onde gostariam de viver com as suas famílias, embora nem todos tenham aqui raízes familiares ou afectivas. Não possuem qualquer experiência de vivência em meio rural, mas querem aqui implementar projectos de empreendedorismo vocacionados para o mercado regional, nacional e local. É este o retrato que se pode traçar dos 14 agregados familiares que, até ao momento, contactaram os responsáveis do projecto “Novos Povoadores”, um projecto-piloto que inicialmente está apenas a ser aplicado em centros urbanos de fácil acesso, para iniciar o processo de mudança do litoral para o interior. “Novos Povoadores” foi um projecto que surgiu pela mão de três amigos, Frederico Lucas, Alexandre Ferraz e Ana Linhares. O objectivo que os move é defesa de um “novo Portugal”, com maior qualidade de vida, em que seja possível reduzir as assimetrias regionais com vantagens para os “novos residentes” e para os territórios de baixa densidade.
Os mentores acreditam que a principal influência para a localização de pessoas e famílias é o trabalho e, hoje em dia, a globalização permite que a “ruralidade” tenha atractivos competitivos quando comparada com as grandes metrópoles. Os “Novos Povoadores”, para já, estão a procurar estabelecer parcerias com as autarquias locais para avançar com o processo de transição das famílias interessadas que, antes de mais, têm que passar um processo de “selecção”.
Esta selecção, feita primeiramente através de um inquérito, visa apurar o real interesse das famílias na mudança. Depois, é preciso garantir que um dos membros do agregado familiar tenha emprego assegurado na região e que o outro tenha um projecto empreendedor para desenvolver no novo local de residência. É na fase de implementação destes projectos que as autarquias e outras entidades são chamadas a colaborar, até para que o processo de transição seja facilitado ao máximo, permitindo uma boa integração dos “novos povoadores”.
Para já, os promotores desta iniciativa entrevistaram 14 agregados familiares, a maioria dos quais composto por três elementos. Os inquiridos querem aplicar aqui um novo projecto que, para já, não passa de uma “ideia”, embora 33 por cento já tenha iniciado o seu desenvolvimento. Todos os candidatos que pretendem mudar-se para Bragança possuem formação ao nível do ensino superior, pós-graduações, mestrados ou doutoramento. Consideram-se pessoas criativas, com capacidade de gestão e de relações públicas, mas admitem, na sua maioria, poder vir a necessitar de algum tipo de apoio na área das tecnologias de informação ou na área de gestão.
Da parte do município de Bragança há todo o interesse em colaborar com o projecto, até porque se baseia na tentativa de inversão da lógica actual que, no entender do autarca, Jorge Nunes, “promove a concentração de pessoas no litoral”. No entender do edil, a região oferece um leque de oportunidades vasto em áreas ligadas à eco-construção, ao eco-turismo, à eco-energia, bem como nas agro-indústrias associadas aos produtos tradicionais. “Estas áreas são, no meu ponto de vista, as que podem vir a obter condições para absorverem recursos humanos qualificados e, consequentemente, alcançarem objectivos de sustentabilidade nesta que se pretende que seja, cada vez mais, uma eco-região”, apontou. Apesar da maioria dos interessados não possuir experiências de vivência em meio rural ou laços familiares que os prendam ao Nordeste Transmontano, Nunes acredita que a adaptação decorrerá de forma pacífica. O autarca lembra que a cidade de Bragança foi recentemente reconhecida como uma das melhores para se viver a nível do país, atribuindo bons desempenhos a nível de qualidade ambiental, mobilidade, segurança para pessoas e bens e oferta cultural. “Mesmo em áreas em que o concelho de Bragança se encontra abaixo da média nacional, como as acessibilidades e a prestação de cuidados de saúde, dentro de três a quatro anos, as melhorias nestas áreas serão significativas e Bragança será ainda mais atractiva”. A centralidade ibérica e a grande proximidade a cidades espanholas ,como Madrid, Valladolid, León ou Salamanca, é outra das mais-valias apontadas pelo autarca, que classifica a região como “um verdadeiro paraíso no interior do país”. “Todos os que não se identificam com a deficitária qualidade de vida existente no litoral podem ter aqui qualidade de vida e harmonia com a natureza”, apontou.

Vila Real tem 13 famílias interessadas
O distrito de Vila Real poderá também vir a receber o projecto “Novos Povoadores”, se houver interesse por parte das autarquias. Os promotores da iniciativa divulgaram ao Mensageiro que há 13 agregados familiares interessados em fazer a mudança para Vila Real num prazo de um a dois anos ou até mesmo em menos de um ano. Na sua maioria são famílias compostas por três pessoas que habitam maioritariamente no Porto (54 por cento) e em Lisboa. Possuem laços familiares na região e há mais de um ano que pretendem realizar a mudança. Os inquiridos possuem, na sua maioria, habilitações literárias ao nível do ensino superior, consideram-se pessoas criativas e com capacidade de gestão, e pretendem vir a implementar na região projectos ligados à área dos serviços e agricultura.
Numa primeira fase, os promotores dos “Novos Povoadores” pretendem implementar o projecto em municípios mais populosos (com mais de 15 mil habitantes) e com economias mais activas, embora, numa segunda fase, esteja previsto alargar a iniciativa a municípios com menor densidade populacional. Segundo dados dos promotores do projecto, em Portugal, 42 por cento da população vive em cinco por cento do território, e apenas 3,5 por cento da população vive em cidades médias: Coimbra e Braga.
Por Carla Gonçalves, in http://www.mensageironoticias.pt/

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Turistas de Mirandela chegam maioritariamente do litoral

A Câmara Municipal de Mirandela solicitou um estudo, à Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo local, sobre o perfil do visitante, a sua experiência e grau de satisfação nas visitas que efectuaram à cidade. Numa primeira amostragem (ainda provisória) fica bem patente que o grau de satisfação das pessoas é muito elevado e o que mais apreciam é a tranquilidade, a paisagem e a qualidade ambiental. O estudo indica ainda que há um grande fluxo de visitantes, maioritariamente ao fim-de-semana, oriundo de vários pontos do país, principalmente do Litoral (43%), que vêm sobretudo em excursões organizadas. Dos inquiridos, a maioria vem pelos produtos da região, com particular incidência nos enchidos (alheiras) e azeite, para além do artesanato. Um facto que leva o vice-presidente da CMM, António Branco, a considerar que a aposta no crescimento das lojas de produtos regionais, que estão abertos aos fins-de-semana, tem sido uma estratégia de “sucesso”, porque os visitantes têm vindo a aumentar e também é um das principais motivações para a escolha de Mirandela. Isto é, “o urbanismo da cidade contribui para captar as pessoas, mas simultaneamente, a oferta comercial é muito importante.”, Isto, porque as pessoas “não perderiam tanto tempo por cá se não houvesse os produtos regionais, que são uma forte alavanca da economia local”, acrescenta.
A ideia do urbanismo comercial é levar as pessoas a visitarem outros pontos da cidade que não apenas o perímetro de cerca de 500 metros, onde ficam localizadas as lojas de produtos regionais. Uma situação que levou o executivo da câmara a enveredar pela substituição de uma zona comercial, com passagem constante de viaturas, para uma zona pedonal atraente e com animação de rua constante, dinamizando o comércio tradicional de uma forma mais abrangente.
Outras das preocupações do executivo da CMM passa por dar uma nova vida ao centro histórico da cidade, de forma a potenciar outra fileira do turismo. Com essa intenção, já foi apresentada uma candidatura de 10 milhões de euros ao programa de acção para a Regeneração Urbana do Centro Histórico da cidade do Tua. Numa fase posterior, a estimativa de custos, inerentes a esta grande intervenção, situa-se na ordem dos 50 milhões de euros que irá permitir a criação de vários espaços culturais, sociais e lúdicos, precisamente nos sectores onde a cidade apresenta algumas carências que vão ser colmatadas através da valorização de edifícios que se encontram degradados. Há edificações que estavam degradados e agora vão ter novas actividades, como é o caso do edifício da PSP, que “vai ser transformado num núcleo museológico”, refere António Branco. Além disso, também vai ser criado um gabinete de Reabilitação Urbana, para que os privados possam recorrer sempre que necessitarem de apoio jurídico, arquitectónico e mesmo ao nível da arqueologia. Também estão previstas acções para a promoção do comércio e para revitalização de um conjunto de pontos, como é o caso do Palácio dos Távoras, do solar dos Pessanhas, que “são edifícios que estão devolutos e estão incluídos nesta candidatura” acrescenta.
As parcerias para a regeneração urbana obrigam a ter investimentos privados o que, no caso de Mirandela, se traduz em 4 milhões de euros em obras de intervenção física como, por exemplo a criação de uma academia de música em parceria com a Esproarte. O projecto de reabilitação e valorização da zona histórica deverá estar pronto em 2011.
Fernando Pires in http://www.mensageironoticias.pt/

terça-feira, 26 de maio de 2009

Projecto melhora viticultura no Douro

Suvidur é um projecto que envolve entidades portuguesas e espanholas. Pretende efectuar a zonagem e ordenamento da vinha no Douro, bem como a elaboração de um manual de boas práticas em viticultura. O projecto vai ser desenvolvido ao longo dos próximos dois anos e custa cerca de um milhão e cem mil euros. Envolve o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), como chefe de fila, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte, a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, o Instituto Tecnológico Agrário de Castela e Leão e a Universidade Politécnica de Madrid.
Paulo Osório, vice-presidente do IVDP, explicou ao JN que estas entidades vão começar por \"agregar e partilhar muita da informação disponível sobre zonagem e cultura da vinha\", tanto na Região Demarcada do Douro como nas Arribes del Duero, do lado espanhol. O objectivo é melhorar a viticultura em ambas as regiões, mas de modo a, em Portugal, \"preservar a paisagem cultural, evolutiva e viva do Alto Douro Vinhateiro\", característica que sustenta o título de Património Mundial atribuído pela Unesco em 2001. Paulo Osório explica ainda que o manual de boas práticas agrícolas que sair do projecto Suvidur \"não vai ser impositivo\". Será colocado à disposição das associações, cooperativas e técnicos, como um \"instrumento de trabalho\", com instruções e recomendações, baseado no \"melhor conhecimento científico disponível\" sobre a sustentabilidade da viticultura de encosta.
Será mais exaustivo que o actual Plano Intermunicipal de Ordenamento do Território do Alto Douro Vinhateiro, que já define \"regras agronómicas de bom senso\", algumas delas \"bastante complicadas\", nota Paulo Osório, porque têm a ver com todos os factores que influem na cultura da vinha. O manual de boas práticas há-de funcionar, por isso, como uma \"cábula\" para os agricultores que vão renovar as suas vinhas. Por exemplo, que castas plantar, em que locais, com que sistemas de armação do terreno e em que sítios, se são patamares de um bardo, micro-patamares ou vinha ao alto. Em suma, o que é preciso fazer para plantar uma vinha, desde o início até ao fim, perseguindo um objectivo final: \"Ter o melhor equilíbrio entre produção e qualidade das uvas, para ter os melhores vinhos do Mundo, sem colidir com a paisagem do Património Mundial\", frisa vice-presidente do IVDP.\"Para além de não colidir deve acrescentar valor à paisagem vinhateira\", opina o chefe da Estrutura da Missão do Douro, Ricardo Magalhães.
Eduardo Pinto in JN, 2009-05-26

Universitários lançam debate sobre impacto da novas barragens e estradas em Trás-os-Montes

Os alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vão promover, entre terça e quinta-feira, um debate sobre o impacto das novas obras públicas no desenvolvimento desta região, para onde está previsto um investimento de 3,8 mil milhões de euros nos próximos anos.
O fórum «O Futuro é hoje», organizado pelos alunos do Núcleo de Engenharia Civil da UTAD, traz a Vila Real, entre outros, António Castro da EDP, Pina Moura da Iberdrola, Pedro Gonçalves, da Soares da Costa, Francisco Silva da Somague e Corte Real Magalhães da Mota-Engil. Estas empresas vão construir, globalmente, o Túnel do Marão e a Auto-Estrada Transmontana, que vão ligar Amarante, Vila Real e Bragança, o Itinerário Complementar 5 (IC5), o Itinerário Principal 2 (IP2), e ainda as barragens do Alto Tâmega, Sabor e Tua.\"Se todas as obras previstas forem construídas, serão investidos 3,8 mil milhões de euros em Trás-os-Montes e Alto Douro num período de cinco a 10 anos\", salientou hoje um dos responsáveis pelo NEC, Rui Guedes. Os universitários querem debater as oportunidades e desafios que as novas obras públicas podem criar para as empresas e recursos humanos da região transmontana.\"Queremos também determinar qual a nossa posição no meio disto tudo e o que poderemos fazer para aproveitarmos esta oportunidade\", afirmou Rui Guedes.
No debate deverão também participar representantes de municípios e empresas transmontanas dos mais diversos sectores, porque, como sustentou o director do Departamento de Engenharias da UTAD, Luís Ramos, estes investimentos vão criar um movimento capaz de reactivar várias áreas de negócios, nomeadamente oficinas de automóveis, empresas de marketing, publicidade, transportes, alojamento e restauração. Referiu, a título de exemplo, que algumas das aldeias da serra do Marão começam já a ser procuradas para alojar alguns dos engenheiros e operários que vão construir o Túnel do Marão. Luís Ramos considera importante que os centros de formação profissional da região direccionem os seus cursos para qualificar a mão-de-obra local de forma a poder dar resposta à procura que vai surgir. \"Só para construir a auto-estrada 24, no troço entre Lamego e Chaves, foram precisos 200 operadores de máquina\", salientou. Luís Ramos referiu que a \"maior parte das obras\" são feitas por subempreitadas, o que, na sua opinião, \"se poderá transformar numa oportunidade para as empresas da região, caso estas se preparem a tempo para obedecer aos requisitos exigidos\". A própria UTAD poderá, segundo Rui Guedes, adaptar os programas extracurriculares dos mais variados cursos e o perfil do licenciado às necessidades do mercado que vão ser geradas com a construção destas infraestruturas rodoviárias e empreendimentos hidroeléctricos. A ideia é também criar ligações com os consórcios para a realização de estágios e disponibilizar os laboratórios universitários.
Lusa, 2009-05-26