quinta-feira, 14 de maio de 2009

Vinho e azeite esgotam na V Feira do Azeite, do Vinho e Produtos Regionais em Murça

Terminou a V Feira do Azeite, do Vinho e Produtos Regionais, uma mostra organizada pela Câmara Municipal de Murça e que contou com a presença de 30 expositores, na sua maioria provenientes do concelho. Tal como tem acontecido nas edições anteriores este evento está inserido nas comemorações da Semana do Município que começaram na passada quinta-feira. Durante o certame o destaque foi para a promoção e comercialização de produtos locais, tais como o azeite, o vinho, o queijo de cabra e ovelha, os enchidos, pão de centeio e trigo cozido em fornos a lenha, o mel, as queijadas e o toucinho do céu.
O evento surgiu em 2004 e começou por ser um espaço de exposições de artesanato e feira do livro, tendo recebido o azeite, o vinho e a doçaria no ano seguinte. A Câmara Municipal de Murça organizou ainda, e pelo segundo ano consecutivo, um roteiro gastronómico para promover os restaurantes do concelho e sensibilizar o sector para a gastronomia regional, com o objectivo de recuperar pratos tradicionais, como os milhos, a palhaça ou as favas com chouriço.
Este ano, o certame pôde contar com o bom tempo, que fez com que esta edição fosse a mais procurada de sempre e, consequentemente, a mais bem sucedida no que toca a vendas. Moisés Morais, expositor proveniente de Vila Nova de Gaia, considera este certame de qualidade. “Gostei muito da feira, tinha um aspecto muito agradável, as pessoas são fantásticas e vendeu-se muito bem. Vinha sem grandes expectativas e fiquei satisfeitíssimo”, afirmou o comerciante.
O Jornal NORDESTE falou com Anabela Rocha, que se deslocou de Vila Real a Murça para visitar a feira, e lamentou a escassez de oferta no certame. “Dado o adiantado da hora, talvez se justifique estar tão vazio. Sei que se vendeu bem, mas estou um pouco desapontada. Se soubesse não tinha vindo”, assegurou.
Por Vanessa Martins in http://www.jornalnordeste.com/

Minas de Jales - O ouro da terra

A riqueza do lugar está enterrada nas profundezas
Em tempos, as Minas de Jales, abastadas que eram, tornaram Campo de Jales em terra de encanto onde chegaram a trabalhar mais de um milhar de pessoas. Actualmente, das antigas minas de ouro apenas resta algum ferro entulhado, que não tem outra serventia se não mostrar que o tempo passou e deixou para trás a “aldeia do mineiro”. Lançados à redescoberta daquela que chegou a ser a referência nacional de ouro chegámos a Campo de Jales, no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Procurámos então alguém com quem falar sobre o complexo mineiro Minas de Jales. Encontrámos Ricardo Malheiro, por sorte, um antigo “escriturário da empresa”. “Aquilo é conhecido por Minas de Jales, mas antes era chamada de Mina dos Mouros”, começou por alertar. “Minas de Jales era como se chamava a nossa sede em Lisboa, porque pertencia a Campo de Jales”, explicou o escriturário, que dedicou 34 anos de vida ao trabalho na mina. Esta ligação aos “Mouros” advém do facto dos seus primeiros exploradores terem surgido no tempo dos Romanos. Em 1992, o complexo de mineiro deixou definitivamente de funcionar e terminou com ele a exploração de ouro em Portugal. “Quando começaram a trabalhar, ainda apareciam muitas ferramentas de madeira que eram dos Mouros”, salientou este antigo funcionário, reformado por invalidez antes do encerramento. Interessados em saber como era a vida no interior da terra, seguimos até à aldeia mineira. Uma urbanização talhada em contornos antigos, mas que já vê alguma modernidade. Respeitando a traça antiga, algumas estruturas vão sendo remodeladas e servindo de habitações. Já dentro do povoado acentua-se um cheiro a terra. Freitas é apontado como “o homem mais certo para entrevistar”, alertou um transeunte. Com alguma dificuldade chegámos à casa de César de Freitas. Sentado na soleira da porta reage energicamente, enganando os seus 78, “quase 79 anos”, como fez questão de dizer.

Expedição na escuridão dourada
Não longe da sua habitação, está “o pouco que resta” do complexo mineiro. O enferrujado cavalete do Poço de Santa Barbara, com metros de altura a “fazer escurecer a vista”, era então responsável por garantir a subida e a descida das profundezas, quer dos homens quer do filão. Junto à estrutura, desembaraça-se a memória do antigo estivador. “A minha função era de, quando houvesse um desabamento, ir lá limpar o caminho e sustentar o túnel, garantindo a segurança”, explicou César de Freitas, que orgulhosamente acrescentou ser esse “o mais importante cargo dentro da mina”. De lucidez perfeita, recorda como saiu de Vieira do Minho e foi parar à “terra prometida”, para aí passar a descer às “entranhas do mundo”. “Veio um compadre meu para aqui, porque não havia trabalho naquela maré e eu vim com ele, porque já era casado e tinha de trabalhar.” Então, com apenas 18 anos, desceu pela primeira vez no elevador do cavalete, para cumprir e repetir a façanha durante os “quase quarenta anos” seguintes. Para executar a sua função “tinha que se ter bom olho, porque era muito perigoso”, sublinhou. “A segurança passava toda pela minha mão, entregavam-me um piso e eu tinha de o deixar pronto e seguro para os homens lá andarem. A equipa de estivadores era um grupo de dois e tínhamos de ter muita confiança um no outro”, revelou César de Freitas. Entre mais uma gargalhada, um “ataque de tosse” avivou-lhe mais a lembrança, esta pesada. “Tive poucos sustos lá em baixo, mas alguns por lá ficaram. Comigo nunca lá morreu nenhum, porque era muito cuidadoso. Muito tabaco fumei para manter os olhos bem abertos e fazer tudo direito”, recordou. Considerando-se um homem cauteloso, admite também que à cautela se juntou a sorte e alguma, mas não muita, fé. “Benzia-me cada vez que ia descer. Só quando ia descer, porque quando chegava cá em cima já estava safo não era preciso”, afirmou em tom de brincadeira. Trabalhando oito horas por dia num ambiente aurífero, mas húmido, e respirando pós de outros minérios como o estanho ou o volfrâmio, César de Freitas adoeceu, como tantos outros companheiros. “Estive algum tempo em tratamento, porque apanhei a doença profissional que é causada pelos pós da mina.” Ainda hoje, os seus ataques de tosse têm na doença da mina a “causa mais provável”.

O fim, o despovoamento
O cenário actual é de um certo desmazelo. Entre as casas habitadas e cuidadas, há os barracões velhos e sem serventia. Dos vagões que transportavam o filão já poucos restam para amostra e os que há servem agora de adorno nos jardins de casas particulares. Já junto ao conservado campo de futebol da aldeia, encontrámos António Silva. Agora com 30 anos, chegou à aldeia mineira ainda nos braços da mãe, acompanhado pelo pai que era mineiro. Cresceu lado a lado com a mina, “num ambiente movimentado e com muitas pessoas”, mas do qual já pouco resta. “Os meus pais vieram para aqui, fizeram uma casa e, quando comecei a poder trabalhar, chegava as ferramentas aos trabalhadores”, afirmou o operário da construção civil. Daqueles tempos, António Silva falou com alguma nostalgia dos bailaricos de Verão e das sessões de cinema no clube da aldeia. “Quando a empresa trabalhava isto tinha muita gente e disso já nada sobra, ficou tudo abandonado. Primeiro até tínhamos boas equipas de futebol.” Agora, a equipa do Campo de Jales fica-se somente pela liga amadora. “Pode não ser um campeonato como os outros, mas voltámos a formar equipa e vamos jogar a final da taça amadora”, garantiu orgulhoso. Sobre o “desmoronar” da grandiosidade do complexo mineiro, estes três antigos trabalhadores das Minas de Jales são unânimes. “Deviam ter deixado um pouco melhor conservado, mas preferiram vender tudo o que podiam e abandonaram o resto”, acusou o mais novo dos três. Ricardo Malheiro, desde sempre habituado a “lidar com a papelada” não tem dúvidas: “tinha lá muito minério, mas a má gestão levou a que acabasse”. Depois do início do processo de falência, em meados da década de 1990, a empresa decidiu leiloar o património. “Quem tinha dinheiro comprou e quem não tinha foi ocupando o que podia”, lembrou António Silva. Do corrupio de outros tempos pelos 16 túneis, escavados a 640 metros da superfície, já pouco sobra. Resta apenas a lembrança, que se vai perdendo com a memória dos antigos, e alguma esperança de que as Minas de Jales voltem a funcionar. Talvez por isso, ainda hoje, durante a festa de Verão da aldeia, o “andor do Mineiro” sai à rua.
Frederico Correia in http://www.mensageironoticias.pt/

Vinho da Adega de Vila Real distinguido a nível Mundial

Nunca uma cooperativa em vinhos brancos alcançou o que a Adega de Vila Real conseguiu no Concurso Mundial de Vinhos de 2009, ou seja, o troféu, “Best Wine”.Esta distinção premeia todo um trabalho que a agremiação tem vindo a fazer ao longo dos anos e, agora, vê esse esforço reconhecido internacionalmente.
O próprio presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, Vilhena Pereira, deu os parabéns ao responsável pela Adega de Vila Real, Jaime Borges. “Esta adega é um exemplo para o cooperativismo do Douro. Na região há outras referências onde os vinhos também foram distinguidos”. Vilhena Pereira ficou de tal forma entusiasmado com tal distinção que assegurou ao Nosso Jornal, que o Douro “será dentro de vinte anos a melhor região de vinhos do Mundo”. “Há um enorme potencial que necessita de ser explorado, aliado à reestruturação da vinha, que poderá vir a ser decisivo na afirmação definitiva de uma região de excelência na produção de vinhos”.
O enólogo Rui Madeira foi um dos responsáveis pelo sucesso do Grande Reserva Branco. “Sendo Vila Real uma zona alta do Douro, o potencial é enorme, podemos fazer vinhos muito aromáticos, um pouco como os consumidores gostam hoje em dia. Acreditamos que temos uvas muito boas, lavradores excelentes que colocam aqui, na Adega, uvas óptimas, depois há que as trabalhar da melhor maneira possível”. Uma referência para outros dois enólogos, Paula Gomes e Luís Abelha que completam a área de enologia da adega. Por sua vez, o presidente da Adega de Vila Real, Jaime Borges, considerou o prémio “como uma distinção” para todos aqueles que trabalham e colaboram com a cooperativa. “Desde os nossos lavradores até à Direcção, passando pela equipa de enólogos, todos merecem esta Medalha que honra e valoriza os vinhos desta casa, mas também a própria região do Douro. O nosso rumo é a qualidade”. Na edição de 2009, realizada em Valência, Espanha, entraram a concurso 6 289 vinhos espirituosos provenientes de 54 países, que em prova cega foram submetidos à apreciação de um júri, composto por 250 especialistas de 41 nacionalidades diferentes. Neste concurso, o galardão máximo é o troféu de “Best Wine” (Melhor Vinho) que distingue apenas o vinho que alcançou a melhor nota absoluta entre todos os vinhos provados na sua categoria. Este vinho resultou de uma escolha de uvas durante a vindima de 2007, provenientes essencialmente de vinhas velhas pré-seleccionadas entre as melhores quintas dos associados da Adega de Vila Real. As castas, predominantes neste Grande Reserva, são o Viosinho, Malvasia Fina, Gouveio e Fernão Pires.
JMcardoso in http://www.avozdetrasosmontes.com

Criada Área de Reserva para Granitos na Serra da Falperra

Está publicada em Diário da República a Área de Reserva para Granitos na Serra da Falperra que foi criada para efeitos de aproveitamento dos granitos ornamentais existentes numa área delimitada com mais de 1700 hectares e que abrange os concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Vila Real e Sabrosa.
O decreto regulamentar n.º 6 de 2009, emitido a 2 de Abril último, oficializa a criação da área de reserva para exploração de recursos geológicos na Serra da Falperra do granito Amarelo Real que, segundo o documento, é uma rocha muito pretendida para revestimento de edifícios, pavimentos e restauro de edifícios de algumas zonas históricas com reflexos económicos e sociais favoráveis à escala regional e nacional.
Ouvidas as Câmaras Municipais de Vila Pouca de Aguiar, Vila Real e Sabrosa, participaram na definição da área de reserva a CCDR-N, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, a Direcção Regional de Economia do Norte e o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade. Para o presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Domingos Dias esta área de reserva «é o resultado de ter escolhido, desde que tomei posse, que a prioridade na economia concelhia passasse pelo ordenamento do sector do granito que visa assegurar e até reforçar os postos de trabalho existentes e em sintonia com a preservação ambiental da zona envolvente». O concelho aguiarense passa a ter duas Áreas de Reserva (a outra é em Pedras Salgadas).
Pela parte dos industriais dos granitos, representada por Domingos Ribeiro, esta medida «é uma mais-valia para todos os envolvidos porque a partir de agora existem regras e é uma forma de proteger os recursos geológicos que existem na região». Na nova Área de Reserva, existem cerca de 50 pedreiras que empregam várias centenas de trabalhadores.
In http://www.avozdetrasosmontes.com

Vila Real é o distrito com mais postos de vigia do país

Demonstrando mais uma vez uma aposta clara na prevenção e na primeira intervenção, o Plano Operacional de Combate a Incêndios de Vila Real conta este ano com 26 postos de vigia e mais de uma centena de vigilantes, homens e mulheres recrutados nos Centros de Emprego do distrito. No que diz respeito aos restantes meios, o dispositivo conta com recursos idênticos aos do ano passado. Amanhã tem início a Fase Bravo, a segunda mais crítica depois da Fase Charlie que este ano vai contar, no distrito, com o empenho de 1060 homens apoiados por 250 viaturas e três helicópteros, sendo de destacar a forte aposta na detecção dos incêndios que faz de Vila Real o distrito com mais postos de vigia do país, com um total de 26.
“Estamos a apostar fortemente na vigilância e na detecção” dos incêndios, revelou o Major Luís Ventura, da Guarda Nacional Republicana (GNR), contabilizando que para os postos de vigia irão ser destacados 106 homens e mulheres recrutados nos Centros de Emprego do distrito. “Este é um sistema que requer alguma flexibilidade porque as pessoas não vão ficar presas ao contrato com a Guarda, ou seja, se surgir uma oportunidade de emprego, a qualquer altura poderão sair”, referiu o mesmo responsável. Luís Ventura referiu ainda que, no âmbito do empenho na prevenção, a GNR está ainda a fazer um levantamento de informações sobre possíveis responsáveis pelas ignições, como por exemplo pastores. Revelando que ainda não houve qualquer detenção de incendiários este ano, o mesmo responsável lança um apelo à população para que seja cada vez consistente no que diz respeito às denúncias. “Na maior parte das vezes, a informação dada sobre um possível criminoso é tão vaga que, em termos operacionais, não leva a nada. É importante que, quando as pessoas tenham a percepção ou a desconfiança de que alguém possa ser responsável pela causa de um incêndio, recolham o mínimo de elementos necessários para que se possa chegar ao indivíduo, como por exemplo, característica específicas de uma viatura ou mesmo de um indivíduo”, explicou Luís Ventura. “Todos temos essa responsabilidade. A floresta é de todos, a todos beneficia e só com a intervenção de todos é que poderemos travar este combate”.
Carlos Silva, comandante operacional do Centro Distrital de Operações de Socorro, frisou ainda o papel importante dos cidadãos, mas, desta feita, no que diz respeito aos cuidados a ter em zonas florestais. “Com o dispositivo que temos e com a colaboração dos cidadãos na redução das ignições, estou convencido que seremos capazes de chegar a bom porto, à semelhança do que aconteceu no último ano”, frisou. Com basicamente o mesmo dispositivo do ano transacto, no distrito destaca-se apenas o reforço ao nível de homens com a criação das nove Equipas de Intervenção Permanente dos corpos de bombeiros, que deverão entrar em funcionamento durante a Fase Charlie, e a constituição de mais duas equipas de sapadores florestais (31 no total), o que coloca Vila Real na linha da frente “dos distritos com mais equipas de sapadores no terreno”.Apesar do distrito já ter atingido, em 2008, as metas previstas para 2012, o objectivo da Autoridade Nacional da Protecção Civil continua a ser clara, reduzir ainda mais o número de incêndios florestais e a área ardida durante as fases de maior risco. No entanto, este ano as estatísticas já ficaram manchadas por uma ‘primavera cinzenta’ com as chamas a consumir 3500 hectares contra os 700 registados em igual período do ano passado. Em 2008, Vila Real foi palco de 1110 incêndios que consumiram um total 1595, valores muito abaixo da média dos últimos cinco anos, que apontam para 1558 fogos florestais e quase 11 mil hectares de território devastado.
Maria Meireles in http://www.avozdetrasosmontes.com

Governo aprova construção da barragem de Foz-Tua à cota mínima

O Ministério do Ambiente condiciona construção do empreendimento hidroeléctrico à elaboração de estudo para alternativa ferroviária nos 16 quilómetros da linha do Tua que vão ser inundados com esta solução. A Declaração de Impacto Ambiental (DIA) emitida pelo Ministério do Ambiente (MA) refere que a construção da barragem de Foz-Tua tem um parecer «favorável condicionada» impondo o estudo de uma linha ferroviária alternativa à actual que será parcialmente inundada. O projecto foi aprovado com a sua localização junto à foz do rio Tua, com a cota de Nível de Pleno Armazenamento mais baixa (170 metros) das soluções alternativas em avaliação. Também estavam em análise as cotas de 180 e 195 metros.
Com esta decisão, a linha do Tua será inundada em 15,9 quilómetros dos 60 que aquela via-férrea tem, ficando submersos cinco apeadeiros. Em contrapartida, caso tivesse sido escolhida a cota máxima, seriam cerca de 31,2 km e 20 apeadeiros inundados.
O MA justifica esta decisão devido à redução de muitos dos impactes identificados, designadamente \"evita a afectação directa das concessões hidrotermais das Caldas de Carlão e Caldas de São Lourenço e minimiza a afectação em termos de área de vinha e áreas agrícolas em geral, de cursos de água, de conservação da natureza, de paisagem e de património\".
Esta parecer desactiva automaticamente e em definitivo, os primeiros quatro quilómetros da ferrovia para os trabalhos de prospecção e elaboração do projecto. De modo a \"garantir e salvaguardar os interesses e a mobilidade das populações locais e potenciar o desenvolvimento sócio-económico e turístico\", a DIA obriga a que seja assegurado o serviço de transporte público da linha férrea do Tua no troço a inundar, sendo que, para tal, \"deverá ser efectuada uma análise de alternativas, incluindo a análise da viabilidade de construção de um novo troço de linha férrea\", adianta. O presidente do Metro de Mirandela, José Silvano, confessa que esta decisão acaba por ser \"um mal menor\" para a região, porque \"sempre é melhor ficar com comboio do que acabar com a linha\", mas desconfia que o Ministério esteja apenas \"a ganhar tempo para nos iludir e encerrar definitivamente a linha do Tua\", porque, se for feito o estudo económico da alternativa ferroviária, \"poderá ditar um custo elevado que o Governo não estará disposto a suportar\", conclui.Satisfeito com a decisão ficou o autarca de Murça. \"É a decisão mais sensata que o Governo podia ter tomado\", diz João Teixeira.
Fernando Pires in JN, 2009-05-14

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Campo de Víboras - conhecida pelas casas luxuosas e riqueza dos seus habitantes

À beleza natural da paisagem e montes envolventes junta-se a sumptuosidade e luxo das casas que se avistam ao longo da estrada que liga Vimioso a Mogadouro. Residências de férias que acolhem os filhos da terra que se dedicam à venda de tecidos, roupas, toalhas, colchas, lenços e ouro, entre outros. Campo de Víboras, no concelho de Vimioso, é conhecida por ser terra de “gente rica”, que mora, durante grande parte do ano, em cidades, como Porto ou Lisboa. “As pessoas da freguesia vivem maioritariamente do negócio e cedo se fizeram à vida, porque viram que a agricultura dava pouco dinheiro”, explicou o presidente da Junta de Freguesia de Campo de Víboras, Domingos Pimentel. A par da beleza dos edifícios que nasceram às mãos do homem, os turistas podem deliciar-se com os montes coroados de fragas ou com extensos campos de flores selvagens que pintam de lilás, branco e amarelo os terrenos incultos. Os rios Angueira e Maçãs são, também, uma paragem obrigatória para os turistas que procuram a região para desafogar a vista e a alma. Freguesia reclama equipamento de apoio aos idosos. Mas se parte dos filhos da terra vivem desafogadamente, outros habitantes (principalmente os mais velhos) deparam-se com condições precárias, quer ao nível de habitação ou cuidados primários. “Cerca de 50 idosos vivem sozinhos em fracas condições. Em alguns casos, a casa nem chega a ter um tecto como deve ser”, lamenta o autarca. Para fazer face às necessidades mais prementes da população, Domingo Pimentel defende a criação de uma infra-estrutura de apoio. “Temos as instalações da antiga escola primária que poderiam acolher um Centro de Dia ou um Lar e não deixam avançar o projecto e nem temos o apoio necessário das entidades competentes”, sublinhou o responsável. Dada a falta de respostas sociais, a maior parte dos idosos é obrigado a permanecer nas suas habitações ou optar por uma instituição fora da freguesia. “As casas acabam por ficar ao abandono e sujeitas a pilhagens”, explicou Domingos Pimentel. Segundo o autarca, a fama de aldeia rica é, por vezes, prejudicial. “Para algumas pessoas, Campo de Víboras não precisa de nada porque é terra de gente com posses. É uma ideia errada, porque temos habitantes com necessidades, que acabam por não receber nada”, lamenta.
Sandra Canteiro in http://www.jornalnordeste.com